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Zasnet alerta para os impactos negativos da mina a céu aberto de Valtreixal para a Reserva da Biosfera

O ZASNET (Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial) emitiu hoje um comunicado tentando alertar para as consequências e impactos negativos na Reserva da Biosfera provenientes da instalação de uma mina de volfrâmio a céu aberto em Valtreixa, Pedralva de la Pradéria, no limite da proteção ambiental da Serra da Culebra, na Sanábria, e a cerca de cinco quilómetros da fronteira portuguesa e do Parque Natural de Montesinho.

O ZASNET, cujo projeto mais emblemático é o desenvolvimento da Reserva da Biosfera Transfronteiriça da Meseta Ibérica (RBTMI), que abrange os territórios do Nordeste Trasmontano, Zamora e Salamanca, apela em nota distribuída à comunicação social “às entidades responsáveis pela realização da avaliação do Estudo do Impacto Ambiental causado pela instalação da mina, a céu aberto, de Valtreixal, que tenham em conta as consequências negativas que este projeto terá para a RBTMI e o seu modelo de desenvolvimento sustentável”.

Após um relatório, o Agrupamento, constituído pelas Associações de Municípios de Terra Fria do Nordeste Transmontano e da Terra Quente Transmontana, a Câmara Municipal de Bragança e as Diputaciones de Zamora e Salamanca, bem como o Ayuntamiento de Zamora, analisou os objetivos e programas, em curso na RBTMI, para garantir o equilíbrio de interesses no desenvolvimento sustentável deste território transfronteiriço, que passam por uma estratégia de desenvolvimento baseada no equilíbrio entre a conservação da natureza e a promoção do desenvolvimento social, educação e a investigação científica.

Segundo Hernâni Dias, presidente em exercício do ZASNET, e signatário do comunicado, “o principal problema tem a ver com a impossibilidade de integrar nos objetivos das reservas da biosfera, uma intervenção com as características da mina a céu aberto proposta, colocando em risco o reconhecimento emitido pela UNESCO, há cinco anos”.

O ZASNET diz que “ a instalação desta mina é altamente poluente, não só localmente, mas afeta uma área muito maior que o expectável, tanto ao nível do solo como da água e da atmosfera. Também é considerada muito prejudicial aos ecossistemas em todo o território, com especial incidência em Áreas Protegidas e Classificadas como Sítios de Importância Comunitária (SIC) ou Zonas de Proteção Especial (ZPE)”, refere-se num comunicado de imprensa endereçado ás redações da comunicação social.

O ZASNET chama a atenção para a localização desta mina a céu aberto, no coração da Reserva da Biosfera Transfronteiriça Meseta Ibérica, com as suas Áreas Protegidas e Zonas de Proteção Especial, como a Rede Natura 2000, que afetará o equilíbrio dos ecossistemas e, consequentemente, a população residente e não residente.

O agrupamento qualifica o projeto da mina Valtreixal como “altamente desfavorável ao turismo de natureza, num território de excelência como é a Reserva para o desenvolvimento deste tipo de atividades, uma vez que compromete as bases e fundamentos do programa MaB (Homem e a Biosfera) o selo atribuído pela UNESCO, com grande esforço, a este território de elevado valor ambiental”.

O Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial considera ainda como “muito adversa para as futuras atividades que o ZASNET pretende desenvolver, no sentido de promover e valorizar este território de baixa densidade populacional, que convive em harmonia com a natureza, a cultura, o património arquitetónico e arqueológico, bem como, para os produtos de qualidade única desta área”.

Projeto de investimento de 2 milhões de euros

Além das graves implicações ambientais e consideráveis investimentos já efetuados com o projeto para a implementação da sinalização turística em toda a Reserva da Biosfera, o ZASNET lembra que está, atualmente, a desenvolver um projeto denominado Património cultural, produtos autóctones, natureza e turismo como base económica para o desenvolvimento da Reserva da Biosfera Transfronteiriça da Meseta Ibérica, com uma despesa aproximada de 2 milhões de euros, financiada no âmbito do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, através do Programa INTERREG VA e POCTEP. Este projeto visa a promoção e valorização do território através de um conceito de desenvolvimento económico, cujo eixo principal é o turismo de qualidade, inteligente e responsável, com ações de proteção e valorização do património natural e cultural, o que constitui uma oportunidade para as PMEs, conforme proposto pelo Plano Estratégico de Cooperação Territorial – ZASNET 2020.

Entre as ações previstas estão a implementação da marca corporativa RBT Meseta Ibérica; organização de eventos; o desenvolvimento do projeto para equipar quatro Centros de Interpretação; o desenho de roteiros e pacotes turísticos; a criação de um Observatório Turístico; a organização do I Encontro Internacional de Bloggers de Turismo, bem como a formação específica para o setor do turismo da RBTMI.

Um modelo de turismo responsável e não agressivo

O ZASNET sublinha que “o modelo económico que se pretende para a RBTMI, é um modelo de turismo sustentável e responsável da Biosfera (BIOSPHERE RESPONSIBLE TOURISM DESTINATION) uma certificação internacional, já alcançada por esta entidade, que promove o equilíbrio entre o património ambiental, o aproveitamento das oportunidades económicas e valores socioculturais, visando, também, o combate às alterações climáticas. Esta certificaçâo cria oportunidades para a população da Reserva da Biosfera, através de um modelo de turismo não agressivo, satisfazendo as necessidades atuais dos clientes e utilizadores, sem comprometer as gerações futuras”.

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