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Wasteless quer reduzir o desperdício alimentar na Europa

Financiado pela Comissão Europeia em 5,5 milhões de euros, o projeto foi discutido, esta semana, na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em Vila Real, onde estiveram reunidos cerca de meia centena de investigadores europeus.

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Diminuir em 20% o desperdício alimentar na União Europeia é o grande propósito do Wasteless, um projeto europeu que vai ser coordenado pelo Centro de Investigação e Tecnologias Agroambientais e Biológicas (CITAB), ao longo dos próximos três anos.

A investigadora Ana Barros é a responsável por este projeto que junta um consórcio multidisciplinar composto por investigadores da Áustria, Bélgica, Dinamarca, Eslovénia, Espanha, Estónia, França, Grécia, Hungria, Itália, Portugal, Chéquia, Suíça e Turquia.

Financiado pela Comissão Europeia em 5,5 milhões de euros, o projeto foi discutido, esta semana, na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em Vila Real, onde estiveram reunidos cerca de meia centena de investigadores europeus. Ao longo de dois dias, o consórcio discutiu de que forma será desenvolvida a combinação de ferramentas e metodologias inovadoras para medir e monitorizar as perdas e os desperdícios alimentares no contexto europeu.

“O projeto contribuirá para a prossecução dos objetivos e metas da estratégia “Farm to Fork” e para o Green Deal Europeu, bem como para reduzir para cerca de metade o desperdício alimentar per capita, a nível do retalho e dos consumidores, até 2030. Adicionalmente, este projeto também terá um impacto positivo significativo, na próxima década, na redução das emissões de gases de efeito estufa, contribuindo para a estratégia de diminuição do impacto das alterações climáticas”, explica a coordenadora.

Em média, cada habitante europeu desperdiça, anualmente, 179 kg, segundo dados do Parlamento Europeu. Isto faz com que nos 27 Estados-membros da União Europeia se desperdicem cerca de 88 milhões de toneladas de alimentos, um valor que ascende a 143 mil milhões de euros, a cada ano. A proveniência deste desperdício tem várias origens, destacando-se o desperdício doméstico (40%) e aquele que provém da indústria agroalimentar (39%). O restante acontece na restauração (14%) e na distribuição (5%).

Por ser nas cozinhas das famílias que ocorre grande parte deste desperdício, serão usados vários estudos de caso para avaliar o destino final de alguns grupos de alimentos como as frutas e vegetais, sumos de fruta, carnes processadas, derivados do leite, cereais ou outros. “Estes e outros casos práticos são as melhores formas que temos para avaliar e medir de forma objetiva quais os principais mecanismos de ação que permitirão, a longo prazo, diminuir e reutilizar estes desperdícios”, avança a responsável.

O projeto Wasteless vai ainda recomendar um quadro para a quantificação do desperdício alimentar e, em simultâneo, desenvolver uma “caixa de ferramentas” de apoio à decisão.

“O que pretendemos é criar ferramentas para toda a cadeia de valor alimentar com base nos pontos de recolha do projeto Wasteless que vão estar presentes em todos os territórios da União Europeia”, conclui a investigadora do CITAB.

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