Informativo Digital de Trás-os-Montes e Alto Douro

Vem nos livros

Ora, o tempo que passa está cabalmente virado para a criação de manipulações como esta, que é o que está agora a dar-se com o caso dos gasodutos do Báltico, alvo de ataques destrutivos.

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Num dia destes, no seu blogue duas ou três coisas, o embaixador Francisco Seixas da Costa colocou um texto seu, curto, intitulado Zaporizhia, onde se pode ler: “Há muitos anos, seguindo a lógica corrente nos romances policiais, os franceses davam um conselho sábio para a descoberta do autor do delito: “Cherchez la femme!”. Nos ataques a Zaporizhia, sigam essa mesma linha, perguntem-se a quem eles aproveitam. Claro que pode não convir…”

Segui, naturalmente, o conselho do diplomata – já tinha seguido, claro está –, e nem por um segundo duvidei de que quem tem a perder com tais ataques será sempre a Rússia, ao mesmo tempo que a Ucrânia acaba por conquistar o lugar de queixoso justo e atento e de vítima. E o Ocidente, capitaneado pelos Estados Unidos, de pronto apoia tal conclusão. De resto, trata-se de uma equação muito elementar, que nem precisa de ter um explicador ao nível de embaixador.

Ora, o tempo que passa está cabalmente virado para a criação de manipulações como esta, que é o que está agora a dar-se com o caso dos gasodutos do Báltico, alvo de ataques destrutivos. Simplesmente, o leitor terá já percebido que a União Europeia está numa situação sem saída em matéria de abastecimento de gás, podendo mesmo ter de voltar atrás no domínio da aquisição de gás da Rússia.

Deste modo, tanto os Estados Unidos, como a sua principal sucursal mundial, que é o Reino Unido, têm o principal interesse neste desiderato que atingiu os gasodutos da Rússia: inviabilizaram o seu funcionamento, vão dispor da grande comunicação social, servil ou acéfala, para vender uma alegada culpa russa, inviabilizaram um recuo europeu, e poderão mesmo internacionalizar o conflito, fazendo entrar a OTAN na guerra. Em todo o caso, trata-se, também, de uma equação muito simples de resolver.

No meio de tudo isto, a grande comunicação social, dita livre no Ocidente, mas que se mostra completamente tolhida perante os Estados Unidos, desde há muito os senhores do mundo. E depois, as Nações Unidas, que têm sempre de ter presente quem, de facto, as mantém… Um facto é certo: tudo isto vem nos livros. Um dado a que deverá juntar-se o que há tanto venho dizendo: temos a democracia…

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