Informativo Digital de Trás-os-Montes e Alto Douro

Um tempo que se quer novo

O surgimento da nova Aliança Democrática, em boa verdade, quase não teve história e não deixou marca. Em essência, houve nela dois factos que merecem uma referência. Em primeiro lugar, o nome – Aliança Democrática –, objetivamente uma designação velha e requentada e que mostrou, claramente, a completa falta de imaginação dos atuais dirigentes do PSD, PPM e CDS. De resto, esta escolha torna-se ainda mais infeliz em face da comparação, em termos de qualidade, entre os atuais dirigentes e os que fundaram a histórica AD. Enfim, um erro colossal.

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Neste mais recente fim-de-semana tiveram lugar duas intervenções políticas, uma destinada à subida de Pedro Nuno Santos ao lugar de Secretário-Geral do PS, a outra com a finalidade de criar, formalmente, a nova Aliança Democrática. Em todo o caso, duas iniciativas com contornos muito distintos e quase diametralmente opostos. Tecerei aqui, pois, uns brevíssimos comentários à segunda, deixando para o fim a primeira aqui referida.

O surgimento da nova Aliança Democrática, em boa verdade, quase não teve história e não deixou marca. Em essência, houve nela dois factos que merecem uma referência. Em primeiro lugar, o nome – Aliança Democrática –, objetivamente uma designação velha e requentada e que mostrou, claramente, a completa falta de imaginação dos atuais dirigentes do PSD, PPM e CDS. De resto, esta escolha torna-se ainda mais infeliz em face da comparação, em termos de qualidade, entre os atuais dirigentes e os que fundaram a histórica AD. Enfim, um erro colossal.

E, em segundo lugar, o surgimento de Miguel Guimarães, que foi Bastonário da Ordem dos Médicos. Tornou-se deste modo transparente a razão das constantes críticas à ação governativa de António Costa. Como que por acaso, não foi no Congresso do PS, ou com um qualquer outro partido da atual oposição que nos surgiu o histórico médico… E é tudo o que consegui localizar nesta cerimónia sem história nem conteúdo.

Em contrapartida, o Congresso do PS ajudou a clarificar muita coisa. Desde logo, o modo, doentiamente parcial, com que as nossas televisões trataram o encontro. Perguntas a esmo, mas sempre sobre a mesma coisa, e tudo completamente à revelia do que traz os portugueses bastante preocupados. Depois, a extensão e variedade das críticas dos diversos militantes que intervieram, e que o fizeram sem subterfúgios. Por fim, a clareza e excecional intervenção do novo Secretário-Geral do PS.

Deixou de poder dizer-se que não foram materializadas as grandes linhas orientadoras da política que irá prosseguir, ou que nada disse sobre medidas mais concretas, algumas que irão constituir-se em enormes desafios políticos para a governação, dado o modo de ser individualista e egoísta dos portugueses.

Estes dois acontecimentos permitiram perceber – e logo no mesmo dia…– a distância a que se situa uma intervenção típica de um político com o desejo forte de se vir a pautar como um estadista, e a conversa realmente vazia dos que se viram na contingência de ter de recorrer a uma designação de candidatura que, por ter sido tão brilhante desde a sua fundação, bem dispensava macacadas de imitação.

Resta agora a Pedro Nuno Santos evitar os erros que foram cometidos pela governação anterior, mormente ao nível da coordenação do Governo, da comunicação pública e da adoção de medidas concretas e concertadas para ajudar a resolver o que realmente traz os portugueses muito preocupados. Veremos, agora, como se irá comportar o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa.

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