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Um cinismo a toda a prova

Depois, e dentro da moda em vigor no Ocidente, a corrupção na Rússia será autêntico mato. Lamentavelmente, Yevgeni Mouravich esqueceu-se de referir a Ucrânia, a Espanha, Portugal, o Brasil, etc., etc..

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Foi muito interessante a intervenção de Fernando Rosas, na noite de ontem, no 360 da RTP 3. Infelizmente, à luz do que já tenho vindo a escrever, poucos ligarão ao que o académico ali referiu. Nem terão prestado atenção à imagem que nos chegou de Joe Biden, na sua recente intervenção na Assembleia Geral das Nações Unidas. E quem diz Biden, diz Xi Jimping. Duas imagens diametralmente opostas, mas complementares: a primeira marcada por um cinismo imenso, a segunda por uma evidência clara de verdade.

A este propósito, a atitude ocidental – a dos Estados da União Europeia – é de uma fraqueza confrangedora. Assim, num destes dias, Yevgeni Mouravich teve a oportunidade de nos referir que na Rússia houve, nestas eleições recentes, grupos oposicionistas a Putin impedidos de se candidatar. Infelizmente, os nossos jornalistas, analistas e comentadores não juntaram a estas palavras as de Donald Trump, a cuja luz se os negros e hispânicos pudessem todos votar, o Partido Republicano nunca mais voltaria ao poder. Uma democracia de referência, como Germano Almeida costumava referir…

Depois, e dentro da moda em vigor no Ocidente, a corrupção na Rússia será autêntico mato. Lamentavelmente, Yevgeni Mouravich esqueceu-se de referir a Ucrânia, a Espanha, Portugal, o Brasil, etc., etc.. E também se esqueceu dos Estados Unidos, do Chile, da Argentina, da Venezuela, como de mil e um outros.

Perante estes dados, não custa perceber o fingimento dos mil e um que viram no discurso de Joe Biden um discurso de grande excelência, garantindo completamente que não virá a ter lugar o que os Estados Unidos há muito já começaram a executar: uma nova Guerra Fria, agora com a China, mas muitíssimo mais perigosa. E muito menos repararam naquela ideia simples e natural de Xi Jimping, de que o avanço mais rápido de um país não transforma qualquer outro num derrotado. Os nossos intelectuais designam a primeira intervenção como de excelência política e a segunda como ameaçadora…

Por tudo isto, tem Fernando Rosas a mais completa razão, salientando a evidência de que me tenho feito eco vezes sucessivas: já se ouvem os tambores da guerra… E convém que o leitor não esqueça o fantástico espetáculo diário que nos é dado pela nossa grande comunicação social: fala-se de tudo o que de mais inútil e miudinho se passa em Portugal, mas ninguém refere os passos de gigante a serem já dados pelos Estados Unidos a caminho de uma nova guerra em larga escala. Convém ter isto presente para memória futura…

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