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Três Conversas

Hoje, já a caminho dos meus 75 anos, não acredito que Mário Soares se determinasse a ser tão claro como desta vez se pôde ver com João Soares. Foi, de parceria com as considerações recentes do major-general Carlos Martins Branco e com Jaime Nogueira Pinto, um dos raros momentos de verdade em torno do que se passa na fronteira entre a Rússia e a Ucrânia.

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Este mais recente domingo foi rico em conversas repletas de significado. De resto, já hoje acompanhadas de uma outra de certa académica conimbricense, creio que na CNN Portugal, durante a manhã desta segunda-feira. O melhor, porém, é acompanhá-las, mormente por via deste meu texto, mas, sobretudo, visionando as respetivas presenças na televisão.

Em primeiro lugar, as palavras de João Soares no noticiário das 20.00 horas, no seu diálogo com Miguel Poiares Maduro. Bom, fiquei deveras admirado com as mais que corretas afirmações de João Soares, que até citou certo texto recente de Miguel Sousa Tavares: só se fala do armamento russo do lado de lá da fronteira, mas sem nunca referir o que se posiciona do lado de cá da mesma. É a tal acefalia, ou talvez cobardia, da nossa grande comunicação social.

Hoje, já a caminho dos meus 75 anos, não acredito que Mário Soares se determinasse a ser tão claro como desta vez se pôde ver com João Soares. Foi, de parceria com as considerações recentes do major-general Carlos Martins Branco e com Jaime Nogueira Pinto, um dos raros momentos de verdade em torno do que se passa na fronteira entre a Rússia e a Ucrânia. Momentos de rara coragem moral, política e psicológica.

A este propósito, foi hoje possível escutar as palavras de certa académica conimbricense, em certa edição matinal da CNN Portugal, onde foi de uma clareza inexcedível. E a todos foi ali possível perceber o que realmente está em jogo nesta questão que envolve a Rússia e a Ucrânia, na peugada das históricas provocações da OTAN, desde que a palavra honrosa do Estados Unidos, ao tempo do fim do comunismo soviético, se nos mostrou como sempre foi: a objetiva falta à palavra dada.

Em segundo lugar, as inenarráveis palavras de Ana Gomes, na SIC Notícias, na noite deste recente domingo. Ali nos veio contar Ana Gomes que Portugal continua a viver num atavismo legislativo em face, por exemplo, dos Estados Unidos, a propósito de ter o FBI descoberto o que o tal jovem português se preparava para fazer. E referiu que o FBI possui a capacidade legal de acompanhar os metadados, ao contrário do que continua (felizmente!) a ter lugar em Portugal. Infelizmente, Ana Gomes mostrou estar longe do que se passou, ao mesmo tempo que a jornalista também não quis esclarecer a nossa concidadã.

Acontece que o FBI não descobriu nada, ante foi informado do teor da conversa que o nosso jovem estava a ter com certo norte-americano, através da plataforma aberta DISCORD. Este, perante o que o nosso lhe expôs, ficou algo perplexo e determinou-se a informar o FBI. E este, depois de confirmar o teor da delação do jovem norte-americano, avisou a nossa Polícia Judiciária. Ou seja: não foi o FBI, com a tal legislação não atávica, que descobriu o caso, antes um norte-americano que dialogava com o nosso jovem e que o denunciou. Ou seja: tudo diferente do que ali nos expôs Ana Gomes… No fundo, coisa já muito corrente nesta nossa concidadã.

Mas Ana Gomes também se mostrou como que horrorizada com a possível utilização de armas nucleares pela Rússia, embora Mário Soares tenha salientado, em entrevista concedida a Clara Ferreira Alves, que sempre apoiou a respetiva utilização pelos Estados Unidos no Japão. E, apesar da minha boa memória, jamais escutei de Ana Gomes um qualquer horror em face daqueles ataques dos Estados Unidos, bem como dos bombardeamentos às cidades alemãs, sob a determinação do criminoso de guerra Harris, feito marechal quase quatro décadas depois do crime contra a Humanidade que ordenou.

E, em terceiro lugar, a conversa de Cecília Meirellles, n’O PRINCÍPIO DA INCERTEZA. Depois de nos expor que a lei tem de estar primeiro que um acordo de cavalheiros – caso da validade dos votos dos emigrantes –, logo juntou, um pouco adiante, que à luz da sua opinião o ato do nosso jovem estudante é terrorismo, independentemente de não satisfazer o definido na lei vigente!! Ah sim, eu quér’áplaudirr!!! E se a isto se juntar o caso da Academia de Alcochete, bom, temos mesmo de ser todos a aplaudir.

Para terminar, ainda uma chamada de atenção para o facto de José Pacheco Pereira nem uma palavra dizer sobre o caso que envolve a Rússia contra a tentativa dos Estados Unidos, através da sua OTAN, de darem mais um passo no sentido de cercar a Rússia. E isto depois de se ter indisposto com o facto de só se falar de Rui Rio, quando este metera, mais uma vez, um pé na argola… É isso, como tantas vezes tenho referido: temos a democracia…

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