Informativo Digital de Trás-os-Montes e Alto Douro

Sucedem-se os milhões

Hoje, objetivamente, ninguém poderá dizer que não somos um país dos milhões. Só em palcos, sucedem-se os milhões, porventura milhares nalguns casos. E também uma extraordinária fezada: a da multiplicação económica dos milhões, derivados da transformação multiusos dos palcos.

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A velocidade dos acontecimentos mediáticos é verdadeiramente surpreendente. Ainda on-tem a grande parte dos portugueses, de modo mais ou menos silencioso, se mostrava de boca aberta com as dimensões e o custo do palco em que irá ter lugar a Jornada Mundial da Juventude, e já hoje se ficou a saber que irão ter lugar mais palcos, certamente mais pequenos, mas que irão ser pagos.

No meio de tudo isto, a tradicional baralhada lusitana, com uns a garantirem estar tudo às claras, outros a dizerem o contrário, e mesmo alguns como que a operarem um slalom gigante, com curvas para a esquerda ou a direita. Uma verdadeira baralhada. Naturalmente, a grande comunicação social, muito em especial a televisiva, passou a dispor de mais um tema a esgrimir com grande facilidade. Uma facilidade que deriva de tudo acabar, em Portugal, por ser, quase sempre, nada.

Hoje, objetivamente, ninguém poderá dizer que não somos um país dos milhões. Só em palcos, sucedem-se os milhões, porventura milhares nalguns casos. E também uma extraordinária fezada: a da multiplicação económica dos milhões, derivados da transformação multiusos dos palcos. O êxito está garantido. Um dado que deve ser olhado à luz do histórico sucesso dos estádios do Euro 2004.

Por fim, o regresso do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, por acaso – e mais uma vez – em torno do tema religioso, embora aqui mais na perspetiva organizacional. Um folhetim que está já nos píncaros da temática político-religiosa que traz os portugueses absolutamente estupefactos, dado que sempre vinham imaginando que Portugal, longe de ser dos milhões, estaria em pro-funda estagnação. É verdade que estagnam as situações sociais dos professores e dos médicos e enfermeiros, mas não faltam milhões para palcos ligados às ações religiosas. No ranking, estamos em segundo lugar, logo depois do Vaticano.

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