Informativo Digital de Trás-os-Montes e Alto Douro

Subliminar

Todos conhecem, tal como Luís Costa Ribas referiu pelo final do tempo de Trump na Casa Branca, que os Estados Unidos declaram guerra com muita facilidade. Sem receio de errar, fazem-no quando lhes convém, completamente à revelia do Direito Internacional Público e da dita Comunidade Internacional.

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No Eixo do Mal de ontem, já mesmo a uns segundos de terminar a conversa, Luís Pedro Nunes, sempre deveras engraçado, mostrou uma obra, em livro, cujo título pode ser facilmente encontrado pelo visionamento do final do referido programa.

Instado por Aurélio Gomes a pôr um fim na sua intervenção, dado o aperto do tempo, Luís ainda conseguiu dar uma olhadela ao índice do livro, referindo quatro narcoestados ali referidos: Guiné-Bissau, Honduras, Filipinas e… Esta-dos Unidos. Bom, caro leitor, perdi-me a rir, dado o modo certeiro, até certo ponto subliminar, como o nosso jornalista ali mostrou a realidade que acabo de referir.

Claro está que não tomei estas referências como algo desconhecido, uma vez que só um interessado, ou alguém plena-mente distraído da realidade histórica do mundo em que vive, ou um seguidor primário da política norte-americana, ainda poderá imaginar que os Estados Unidos, sobretudo, através da designada comunidade de informações, não suporta (e beneficia!) os mil e um negócios sobre estupefacientes que se desenrolam no subcontinente americano, mas por igual noutros lugares do mundo.

Todos conhecem, tal como Luís Costa Ribas referiu pelo final do tempo de Trump na Casa Branca, que os Estados Unidos declaram guerra com muita facilidade. Sem receio de errar, fazem-no quando lhes convém, completamente à revelia do Direito Internacional Público e da dita Comunidade Internacional. É por ser esta a realidade que já desde Obama os Estados Unidos se vêm fartando de atacar alvos diversos no mundo usando drones. Matam onde, quando e quem querem. E se a tarefa for a de escutar, fazem-no ao dia-a-dia, sobre quem quer que seja, como nos contou Edward Snowden.

Ora, há um tempo atrás, tendo esta realidade em conta, escrevi que os Estados Unidos, fruto da sua cabalíssima rede de satélites terrestres, conhecem muitíssimo bem a localização das fábricas de estupefacientes por todo o mundo. De resto, existem imagens de militares norte-americanos a mostrarem aos repórteres em causa extensos campos de cultivo de papoilas dos talibãs no Afeganistão, explicando que era preferível deixá-las ficar, não as queimando, porque sem este magríssimo sustento, acabariam por entrar no ambiente terrorista de base religiosa. Bom, já lá vão uns dez ou mais anos.

Perante isto, pôr um fim no tráfico de estupefacientes seria simples, e com uma forte margem de êxito: usar drones para bombardear os santuários onde se fabricam as referidas drogas. A verdade é que os referidos santuários lá se mantêm fortemente incólumes, ao mesmo tempo que o tráfico de estupefacientes no mundo simplesmente continua a desenvolver-se.

Esta ausência de combate adequado à produção de estupefacientes por parte dos Estados Unidos mostra que é enorme o negócio que se desenvolve aqui à custa dos malditos estupefacientes. E é por isso que o autor do livro incluiu os Estados Unidos como um narcoestado, a par da Guiné-Bissau, das Honduras e da Filipinas. Um dado é certo: Luís Pedro Nunes é engraçadíssimo, mas realiza trabalho útil.

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