Informativo Digital de Trás-os-Montes e Alto Douro

Sacrilégio!

É uma espécie de fuga para a frente, dado que as pessoas, mormente no Primeiro Mundo, (ainda) não podem ser deixadas à sorte da manifestação dos elementos.

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Pois é verdade, caro leitor: quem nos conseguiria fazer imaginar que Vítor Gaspar, de parceria com um colega seu do FMI, nos viria a dizer, em nome desta instituição, que taxar as empresas com lucros excessivos ou não declarados nos territórios onde produzem e taxar também os indivíduos considerados super-ricos é possível, desejável, mas é preciso ser feito em cooperação internacional para haver eficácia, aumentar efetivamente a receita fiscal e reduzir as desigualdades.

Percebe-se facilmente que uma tal posição, depois de ser apontada como um autêntico sacrilégio pelos oligarcas portugueses, deverá ter também como consequência muito más digestões, talvez também problemas de coração, mesmo noites muito mal dormidas. Quem diria que o bom do nosso Gaspar seria capaz de se sair com uma destas, apesar do peso enorme da sua evidência e desde sempre?

Claro está que o que Vítor Gaspar e o seu colega agora se viram na obrigação de defender e propor é mais uma manifestação da derrocada do modelo mundialmente adotado pelo capitalismo. É uma espécie de fuga para a frente, dado que as pessoas, mormente no Primeiro Mundo, (ainda) não podem ser deixadas à sorte da manifestação dos elementos.

Costuma dizer-se que o que tem de ser tem muita força. E é este aqui o caso. Mas o que isto mesmo nos mostra é que se vai brincando, nas designadas democracias do Primeiro Mundo, com a sorte das pessoas, mormente com as suas naturais exigências mais elementares e de dignidade humana. De um modo simples, o Papa Francisco havia já alertado para esta realidade, quando salientou que esta economia mata. E por ser esta a evidência das coisas do neoliberalismo, os dois homens do FMI nos surgiram agora com esta ideia dolorosa para a gentalha da boa-vida deste mundo em verdadeira decadência moral. Sacrilégio!!

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