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Rio que se cuide…

Hoje, o PSD vive perante este dilema: sem poder dizer-se neoliberal, anunciando, abertamente, que o seu grande objetivo é destruir o Estado Social, já teve a coragem – é, de facto, precisa coragem...– de se ligar ao Chega! de André Ventura, ao mesmo tempo que, já sem tibiezas, velhos barões vêm a terreiro dizer que o Chega! até nem chega ainda, porque se impõe ir bem para lá do acordo estabelecido nos Açores.

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Recordo hoje muito bem o clima, já de brincadeira, com que se chegou a olhar a ação política de Pedro Passos Coelho, já muito depois da entrada em funcionamento da Geringonça, quando acabou por ter de deixar a liderança do PSD. A grande verdade é que o tal Diabo nunca chegara, ao mesmo tempo que o Governo lá foi recolocando a qualidade de vida dos portugueses no lugar muito próximo do que lhes era devido.

Recordo, por igual, o que os nossos jornalistas, analistas e comentadores sempre disseram depois da saída de Pedro Passos Coelho da liderança do PSD: com esta saída, António Costa perde o seu principal escudo defensivo, porque a tática seguida por Pedro Passos Coelho simplesmente falhou e já só servia para o desgastar, bem como ao seu partido, ao mesmo tempo que a Geringonça se fortaleceu e lá foi levando a carta ao Garcia.

No entretanto, lá voltou a surgir Pedro Santana Lopes, mas também o eternamente anunciado Rui Rio. Sem espanto, triunfou este último. Simplesmente, o PSD continuava lá, tal como sempre havia habituado os portugueses interessados na política, dançando sem parar, desde o vira do Minho ao Rock . O vento estimado era a única força que o fazia mexer, fruto de um conhecido mal congénito: um partido social-democrata neoliberal, suportado em barões, condes, marqueses e duques, que se foi sempre mostrando como uma espécie de tudo em nada.

Hoje, o PSD vive perante este dilema: sem poder dizer-se neoliberal, anunciando, abertamente, que o seu grande objetivo é destruir o Estado Social, já teve a coragem – é, de facto, precisa coragem…– de se ligar ao Chega! de André Ventura, ao mesmo tempo que, já sem tibiezas, velhos barões vêm a terreiro dizer que o Chega! até nem chega ainda, porque se impõe ir bem para lá do acordo estabelecido nos Açores.

No tempo de Pedro Passos Coelho o PSD estava a 10 ou mais pontos do PS, este sempre sem maioria absoluta, mas hoje a posição é a mesma, ou a distância poderá até ser maior. E se Rui Rio não acredita na sondagem do Expresso, brincando mesmo com o que não devia, os que nunca o aceitaram voltam a pensar no já estafadíssimo Pedro Passos Coelho – falta, objetivamente, renovação no PSD –, o tal por cuja saída da liderança fizera António Costa perder o seu principal escudo defensivo. A sorte – e o azar, claro – está na esperança, porque ela é a última a morrer. Até o CDS de dos Santos também consegue manter a esperança! Temos, pois, esperança para dar e vender.

Esta esperança, de facto, surgiu por via do novo coronavírus, que nos criou a pandemia de COVID-19. Uma realidade que, de facto, deitou por terra toda a lengalenga da doutrina económica de Pedro Passos Coelho, porque este objetivo diabo criou problemas nas sociedades mais modeladoras do princípios económicos neoliberais, logo a começar pelos Estados Unidos. Não era, afinal, o Diabo, mas um aviso sobre o fim do mundo…

Pelo sim, pelo não, os ditos democratas do PSD, mas que nunca aceitaram Rui Rio, com um partido já envelhecido, lá se viram na obrigação de colocar a sua nova esperança no esgotado Pedro Passos Coelho. E então há mesmo quem nos venha dizer que o potencial deste está intocável!! Talvez, mas só se for com alguma ajuda de caminho. E esta só poderá provir do atual Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, que, como muito bem diz Ana Gomes, ora se encosta a(o PS de) António Costa, ora lhe tira tapetes aqui ou ali. Que esta reeleição de Marcelo é um risco para os eleitores que se reviram na política da Geringonça, pois, é uma evidência. Uma evidência tão forte quão simples de perceber.

Não faltam hoje dados que nos permitam perceber a movimentação que está a dar-se ao redor da reeleição de Marcelo, suportada num sonhado falhanço da vacinação contra a COVID-19, mesmo que as vacinas deixem de ser enviadas, com violação frontal dos acordos estabelecidos. Num ápice, sem real espanto, aí nos surgiram as intervenções de Cavaco, o novo livro de Catroga, a apregoada esperança no infindo potencial de Pedro Passos Coelho, as intervenções deste mesmo, o badalar concomitante da grande comunicação social, etc.. E depois, a fase de tapetes tirados pelo Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, apesar de facilmente se perceber que Eduardo Cabrita fez, de um modo imensamente geral, tudo o que lhe competia. Um dado é agora certo: estamos à espera dos resultados do Sistema de Justiça neste domínio do senhor ucraniano falecido no Aeroporto Humberto Delgado. De resto, temos aí a nova jogatina da nossa grande comunicação social, que é a conversa da responsabilidade política… Se se tratar de alguém do PS, claro está.

Como pude já escrever, e como tão evidentemente se percebe, parar esta máquina de terraplanagem sobre a Constituição da República, com destruição clara do Estado Social, pressupõe esta coisa simples: quem realmente o defende e pôs de pé, deve unir-se e fazer frente à máquina da Direita e da Extrema-Direita, hoje já imensamente esperançados no segundo mandato de Marcelo. Reformar, como tantos e tão diversos dizem há décadas, é pôr um fim na Constituição da República e nas mudanças que a Revolução de 25 de Abril trouxe à enorme maioria dos portugueses. Portanto, Rui Rio que se cuide, e que assim procedam, por igual, o PS e os partidos da Esquerda. É o que os portugueses, de modo amplíssimo, esperam da Geringonça que se deixou ir abaixo por culpa não sua.

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