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Regresso ao passado

Este caso de Odemira, tal como referiu, com toda a verdade, o representante da Comunidade Hindu em Portugal, era completamente conhecido de todas as autoridades e de todos os partidos políticos. Mas também da Igreja Católica Romana, que muito raramente, quase sem ser ouvida, abordou esta realidade. Basta que comparemos as suas tomadas de posição, quase inaudíveis, com a forte barulheira do histórico bispo Manuel Martins, em Setúbal, quando Mário Soares era Primeiro-Ministro...

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Quando escrevo o presente texto continua a desenrolar-se a Cimeira Social da União Europeia sob a presidência semestral de Portugal, através da liderança do nosso Primeiro-Ministro, António Costa. Nas condições que se conhecem, pode já dizer-se que a presidência portuguesa da União Europeia se vai saldar num êxito indiscutível e que, com perseverança futura dos dirigentes europeus, poderá levar à colheita de frutos que poderão servir os povos europeus, mas também o resto do mundo.

Todavia, existem dois pontos que deverão vir a merecer alguma atenção dos portugueses: a vacinação universal e o regresso ao passado no domínio do Sistema de Saúde, despontando já o horror criado entre nós pela desumana política da anterior Maioria-Governo-Presidente. Portanto, vejamos estas duas realidades, dado terem agora surgido à superfície da grande política, nacional e europeia.

Em primeiro lugar, o problema da vacinação universal. Lamentavelmente, surgiu ao nosso mundo a pandemia que a todos atingiu, a da COVID-19. À luz de uma verdadeira singularidade, surgiram vacinas de tipo diverso
e produzidas em lugares diversos do mundo, a começar pela Sputnik V, que foi a primeira a ser criada e na Rússia. Razões de natureza geopolítica vêm fazendo com que esta vacina venha sendo relegada para as calendas, impedindo muitos povos do mundo de se verem protegidos pela sua inoculação, ao mesmo tempo que se vai deixando a porta aberta para novas pandemias, desenvolvidas a partir de novas estirpes.

De um modo verdadeiramente inesperado, Joe Biden veio propor a quebra das patentes, ideia que já vinha sendo defendida pela Rússia, China, África do Sul e Índia. Bom, foi o pânico no seio da União Europeia. Uma realidade que se nos mostra consonante com a utilização de uma moderna escravatura na Europa, ao mesmo tempo que Joe Biden tenta reunificar as famílias que haviam sido desmembradas sob a liderança de Donald Trump. O que agora teve de ser tratado abertamente, ao redor de Odemira – é por quase todo o Portugal e por Estados diversos da União Europeia…–, está a ser invertido nos Estados Unidos de Joe Biden.

Este caso de Odemira, tal como referiu, com toda a verdade, o representante da Comunidade Hindu em Portugal, era completamente conhecido de todas as autoridades e de todos os partidos políticos. Mas também da Igreja Católica Romana, que muito raramente, quase sem ser ouvida, abordou esta realidade. Basta que comparemos as suas tomadas de posição, quase inaudíveis, com a forte barulheira do histórico bispo Manuel Martins, em Setúbal, quando Mário Soares era Primeiro-Ministro…

A pandemia da COVID-19 veio mostrar às claras a fantástica mentira do Ocidente na sua badalada defesa dos Direitos Humanos. Perante uma necessidade de salvar vidas de um modo universal, o Ocidente fez o contrário do defendido, desde sempre, pela Rússia e China: recusa a obtenção de vacinas para todos os povos do mundo, mormente os mais pobres, situados, de um modo geral, no Sul da Terra, e isto quando até já os Estados Unidos se determinaram a defender a quebra das patentes! Até o Papa Francisco já aí nos surgiu a pedir a quebra das patentes!!

E, em segundo lugar, o problema do futuro do nosso Serviço Nacional de Saúde, que, nos termos constitucionais, deve ser universal e tendencialmente gratuito. Bom, começa já a perceber-se que a tão badalada defesa dos cuidados de Saúde não deverá ir para diante, antes tudo apontando para um regresso ao passado dos tempos da anterior Maioria-Governo-Presidente, quando a Tróyka mandava em Portugal, com o Governo de Passos e Portas a pretender ir mesmo para lá da Tróyka.

Defendo hoje que as Ordens dos Médicos e dos Enfermeiros, tal como os diversos sindicatos, de parceria com os partidos da Esquerda, incluindo o Livre, se determinem a tratar com verdade os riscos que se aproximam dos portugueses. E ainda consigo esperar que o próprio PSD, mesmo já arrastado pelo Chega! de André Ventura, tenha a coragem, moral e psicológica, de defender o que, no seu passado, sempre recusou: o fortalecimento do Serviço Nacional de Saúde, universal e tendencialmente gratuito. De resto, é essencial reconhecer que novas pandemias por aí nos irão chegar. Enfim, para já, neste domínio da Saúde, estamos a iniciar o regresso ao passado…

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