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Quase não acreditei

Comecei por não me admirar com a exigência ao Governo de Cuba no sentido de reconhecer aos cubanos o direito à livre manifestação das suas ideias, realidade lógica, mas cujo caminho inverso vem dando passos visíveis em lugares diversos da União Europeia, invariavelmente com a mera resposta do megafone.

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Quando num destes dias tomei conhecimento das manifestações surgidas em Cuba, nem me ocorreu que o Governo de Portugal viesse a pronunciar-se sobre o tema, mas a verdade é que quase não acreditei que Augusto Santos Silva viesse dizer o que se lhe ouviu.

Comecei por não me admirar com a exigência ao Governo de Cuba no sentido de reconhecer aos cubanos o direito à livre manifestação das suas ideias, realidade lógica, mas cujo caminho inverso vem dando passos visíveis em lugares diversos da União Europeia, invariavelmente com a mera resposta do megafone.

Inesperadas foram as considerações sobre o nefando papel do bloqueio imposto pelos Estados Unidos. Foram considerações completamente fora do discurso submisso dos que por aqui vão tendo de governar. Enfim, fiquei bastante perplexo, porque nunca me tinha ocorrido que estas considerações pudessem ter aqui lugar.

Tudo isto, porém, foi como uma espécie de prova dos nove, porque já hoje nos surgiu a possibilidade de mostrar a nossa democraticidade, mas por via de uma prova real. Uma dezena e tal de estados norte-americanos estão a alterar as respetivas leis eleitorais, de modo a ir ao encontro da limitação no direito ao voto por parte de minorias que, tradicionalmente, são votantes democratas. De modo que estou agora atento ao que irão fazer, sobretudo, o nosso Ministro dos Negócios Estrangeiros e o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa.

Por um acaso, recebi ontem a inesperada visita de uma sobrinha, a fim de nos entregar, pessoalmente, o convite para o seu casamento. Falou-se – nem sei bem a que propósito – do caso cubano, ao que lhe referi a histórica entrevista de Donald Trump ao 60 Minutos: se todos pudessem votar, o Partido Republicano nunca mais voltaria a vencer. Não duvido, por um minuto, que a enormíssima maioria dos cubanos desconhece estas palavras de Trump, embora esteja certo de que a atual cegueira dos que protestam, em mui boa parte com razão, nem seria racionalmente olhada. E tenho pena que ao cubano residente entre nós, entrevistado simultaneamente com Filipe Vasconcelos Romão por Cristina Esteves, não tivesse sido colocada esta explicação de Donald Trump.

Isto, caríssimo leitor, é que é a dita democracia norte-americana, que depois protesta contra Cuba e a Venezuela. E contra quem mais lhe convier. Espero agora por declarações em defesa da democracia nos Estados Unidos por parte de Augusto Santos Silva…

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