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Carlos d'Abreu

Carlos d’Abreu, raiano do Douro Transmontano (1961), Geógrafo…

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PROIBIDO

é proibido sentar nesta cadeira
é proibido entrar sem máscara
é proibido permanecer sem máscara
é proibido estar a menos de 2m de outrem
(mesmo que mascarado)

é proibido circular aos fins de semana
é proibido sair de casa a partir das tantas
(às não sei quantas…)

é proibido ajuntamento superior a cinco mamíferos
(mesmo que mascarados)

e depois a versão

OBRIGATÓRIO

é obrigatório o uso de máscara
é obrigatório desinfectar as mãos
é obrigatório lavar as mãos
é obrigatório usar luvas
é obrigatório distanciamento social
é obrigatório permanecer em casa
é obrigatório informar as autoridades
(se tem sintomas desmascarados)

é proibido
é obrigatório
acautelem-se os monoteístas
preparem novo altar os teístas
riam-se os ateístas
regozijem-se os anti-teístas
com este omnipresente e omnipotente ser

que notável serviço presta ao autoritarismo
o novo habitante do espectacular zoo
do corpo humano

MÁSCARA

usemos máscara
entremos com máscara
permaneçamos com máscara
circulemos com máscara
comamos com máscara
bebamos com máscara
fumemos com máscara
banhemo-nos com máscara
dormamos com máscara
dancemos com máscara
cantemos com máscara
forniquemos…

que deboche!

adormeci

MÁSCARA

li
e dormi, dormi, dormi
pela manhã

MÁSCARA

ouvi
mas não respondi, respondi, respondi
antes elucubrei
e continuei
a pensar, a pensar, a pensar
e resolvi a questão
do uso da máscara
também na hora da refeição:
fiz-lhe um rasgo para aceder à boca

e neste repensar no que me refodia
encontrei-lhe ainda uma outra utilidade:
vendei com ela os olhos para a sesta

já sei
agora quando sair de casa
levarei “passa-montanhas”
que sempre pensarão ser forrado
com cetim em forma de máscara

e poderei entrar no banco estatal
e no hemiciclo bentinho
e talvez mesmo no presépio de belém
porque uso e sou máscara

e que farei ao fruto
dessas tão notáveis
expropriações?

já sei, já sei, já sei:
distribuo o velho-banco
pelos novos-bancos
e os bentinhos arremato-os
nas feiras de raridades

passarei a ser a máscara
a máscara que venceu a barba
que me mascarava
mas como a barba ficou da cor da neve
e a Natureza sabe que não gosto de frio
permite-me agora que a máscara
amenize o meu inverno
com as cores que entender

viva a máscara libertadora!

destes lábios mascarados
recebei graças solsticiais
e beijos descarados
senão mesmo envenenados
por este tempo
que levou o vento
não permitido > não-autorizado > não consentido
do “INTERDIT D’INTERDIR”

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