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Primeiro Censo Nacional de Águia-caçadeira já está no terreno

alombar realiza ações de formação para vigilantes do ICNF sobre o censo. O Censo, que se realiza em 2022 e 2023, está enquadrado no projeto "Searas com Biodiversidade - Salvemos a Águia-caçadeira”.

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A Palombar – Conservação da Natureza e do Património Rural já realizou quatro ações de formação sobre o 1.º Censo Nacional de Águia-caçadeira que arrancou no território nacional este ano, as quais foram direcionadas para vigilantes da natureza do Departamento Regional da Conservação da Natureza e das Florestas (DRCNF) do Norte do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF). As ações de formação sobre o Censo e identificação das espécies-alvo decorreram nos parques naturais do Douro Internacional, Montesinho, Alvão e no Parque Nacional da Peneda-Gerês.

O Censo, que se realiza em 2022 e 2023, está enquadrado no projeto “Searas com Biodiversidade – Salvemos a Águia-caçadeira”. Este projeto é promovido por vários parceiros: a Palombar, a Associação Nacional de Produtores de Proteaginosas, Oleaginosas e Cereais (ANPOC), o BIOPOLIS/CIBIO – Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto e o Clube de Produtores do Continente (CPC) e tem financiamento destas três últimas entidades.

No âmbito deste projeto, o BIOPOLIS/CIBIO ficou responsável pela coordenação nacional do 1.º Censo de Águia-Caçadeira. A nível regional, a Palombar coordena as ações do Censo a norte do rio Tejo.

Censo e campanha nacional de salvamento

Macho de águia-caçadeira_foto Filippo Guidantoni_Palombar
Macho de águia-caçadeira. Foto Filippo Guidantoni, Palombar

Com a realização deste Censo, prevê-se obter informação sobre a população reprodutora da espécie em Portugal, a qual será essencial para o sucesso da campanha nacional de salvamento e proteção de ninhos de águia-caçadeira localizados em parcelas de produção cerealífera em que a ceifa coincide com a época de reprodução da espécie. A campanha, coordenada pela Palombar no norte de Portugal e pelo ICNF/DRCNF do Alentejo no sul do país, está centrada no envolvimento dos produtores agrícolas na conservação desta rapina.

Este Censo é fundamental para conhecer a população nidificante desta rapina no território nacional e proteger as zonas de nidificação e alimentação e servirá de base para a implementação de medidas agroambientais e planos de gestão do território e da espécie que envolvam as comunidades locais, bem como para monitorizar a sua população, de forma a quantificar os seus reais efetivos e identificar os locais onde nidificam, assim como avaliar a evolução das suas populações ao longo dos próximos anos.

O 1.º Censo Nacional de Águia-caçadeira conta ainda com vários parceiros, entre os quais os departamentos regionais do ICNF do Alentejo, Centro e Norte, a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), a Liga para a Proteção da Natureza (LPN), o Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Aves Selvagens (CERVAS/ALDEIA), a Associação Transumância e Natureza (ATNatureza), a Associação Rewilding Iberia Portugal, o Fórum Aves de Portugal, a BIOSFERA – Consultoria Medioambiental, e também com diversos voluntários.

Uma das espécies mais ameaçadas da fauna terrestre em Portugal

Crias de águia-caçadeira no ninho_foto Paulo Calejo_Palombar
Crias de águia-caçadeira no ninho. Foto Paulo Calejo, Palombar

A águia-caçadeira (Circus pygargus) é uma rapina migradora que tem um estatuto de ameaça “Em perigo” de extinção, segundo o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal e as suas populações têm registado um declínio continuado e acentuado no território nacional nos últimos anos. Esse declínio resulta, muito provavelmente, de dois fatores decisivos que afetam a espécie: o corte precoce das culturas de feno em plena época reprodutora e a perda de habitat associada à redução muito significativa das áreas cultivadas com cereais. Esta é uma das aves estepárias com maior dependência das searas por constituir o seu habitat preferencial de nidificação e de alimentação.

Atualmente, a águia-caçadeira é considerada uma das espécies mais ameaçadas da fauna terrestre em Portugal. Trata-se de uma espécie de conservação prioritária no país e que está protegida através da transposição para a legislação nacional da Diretiva Aves da União Europeia, e das Convenções de Berna, de Bona e de Washington.

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Fonte desta notícia: Palombar

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