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Por novo jornalismo popular de qualidade

O papel da palavra escrita e impressa sempre foi e continua a ser indispensável, nomeadamente nos países em vias de desenvolvimento.

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Júlio Roldão

Júlio Roldão, jornalista desde 1977, nasceu no Porto em…

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Citando um ensaio de E. Lloyd Sommelad publicado em 1966 – “A Imprensa nos Países em Desenvolvimento” –, realço a tese da profunda importância da Imprensa (leia-se a comunicação social que privilegia a palavra impressa) em oposição aos analistas que previam a possibilidade de certos países, principalmente africanos, poderem nunca conhecer um tempo de predomínio da Imprensa escrita face à potencial satisfação das respectivas necessidades informativas através da Rádio e da Televisão.

O papel da palavra escrita e impressa sempre foi e continua a ser indispensável, nomeadamente nos países em vias de desenvolvimento. A palavra escrita e impressa fomenta e solidifica a sempre tão necessária alfabetização, bem como os hábitos de leitura indispensáveis a uma cultura bibliográfica fundamental para este urgente combate à desinformação generalizada.

E. Lloyd Sommelad, que desenvolveu imenso trabalho de reflexão quando trabalhou no departamento de comunicação social da UNESCO, não podia incorporar nos seus trabalhos o impacto da segunda grande revolução do audiovisual, a da Internet, pois faleceu em 2014 aos 95 anos de idade. As suas reflexões não perdem, apesar disso, uma preocupante actualidade.

É bom recordar que Portugal só no último quartel de século XX acedeu ao estatuto de democracia ocidental, apresentando-se neste campeonato como um jovem país em vias de desenvolvimento, com todos os problemas inerentes, entre os quais uma elevada taxa de analfabetismo a reflectir-se no panorama da Imprensa portuguesa, também sedenta, à época, de profundas mudanças.

Devo, à laia de manifestação de interesses, dizer que me tornei jornalista em 1977, no início daquele último quartel do século XX, sendo então um jovem adulto empenhado no esforço colectivo do nosso desenvolvimento, com o sonho de escrever num jornal popular de qualidade. Recusando os modelos sensacionalistas de certo jornalismo ocidental, mas perseguindo as virtudes de um jornalismo ao mesmo tempo popular e enraizado nas tradições populares. Um jornalismo popular de qualidade.

É, a meu ver e em certa medida, o que persegue a Associação Portuguesa de Imprensa (API) com acções de sensibilização, presenciais e online, dirigidas a públicos potencialmente mais vulneráveis, dos mais jovens aos seniores. É a mesma batalha contra o flagelo da desinformação que a Academia MediaVeritas desenvolve.

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