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Ponto de ordem

A esmagadora maioria dos comentadores, muitos de grande qualidade cultural reconhecida, recusa analisar a grande batalha da Ucrânia a seu montante, tratando o tema na base da invasão da Rússia sobre a Ucrânia.

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Decorre, fruto da vontade ocidental, a grande batalha da Ucrânia. Um tema sobre que muitos dos comentadores que nos surgem nas televisões continuam a perseverar ter-se iniciado há pouco menos de um ano, como se aí tivesse tido lugar o INÍCIO DA HISTÓRIA, conduzido pelo Primeiro Homem, ou seja, Vladimir Putin.

Concidadãos ilustres, que nos vão surgindo nas televisões, mostram grande dificuldade em perceber que a estratégia da Rússia foi sempre muito flexível, tendo como objetivo, isso sim, impedir que a Ucrânia pudesse vir a transformar-se no tabuleiro futuro do caminho a ser percorrido pelo Ocidente – Estados Unidos, naturalmente no comando da sua OTAN –, com a finalidade de vir a minimizar o papel internacional da Rússia, numa primeira fase, depois o de perturbar a respetiva vida interna, numa segunda fase, e, lá mais para diante, numa terceira fase, operar o seu desmantelamento.

A esmagadora maioria dos comentadores, muitos de grande qualidade cultural reconhecida, recusa analisar a grande batalha da Ucrânia a seu montante, tratando o tema na base da invasão da Rússia sobre a Ucrânia. E tratam esta invasão como nunca se viu, por exemplo, com a Guerra do Vietname, ou com a do Iraque, ou com o que se passou com a presença americana no Afeganistão, etc., nunca se preocupando, à luz da tal Carta das Nações Unidas, com o que se passa com a violação da Palestina por Israel, ou com Guantánamo, ou com o Kosovo, etc..

A uma primeira vista, a enormíssima maioria dos nossos comentadores parece acreditar na nar-rativa exposta pela nossa grande comunicação social, aparentemente incapazes de perceber a criatividade tão exacerbada por detrás da exposição do que se vai passando na Ucrânia: os russos um terror, os ucranianos verdadeiros santos.

De modo concomitante, o Papa Francisco chegou mesmo a comover-se com o terrífico sofrimento de ucranianos, mormente crianças, mulheres e idosos, mas nunca a um tal ponto o vimos chegar com os casos similares, mas a terem lugar por lugares diversos do mundo. Diz-nos mesmo, e com razão, que estamos num terceiro conflito mundial, mas parece não conseguir apontar os causadores de uma tal catástrofe. Mais: chegou mesmo a recuar de um modo inesperado, mesmo impensável num Papa, depois de ter salientado a informação por si recebida de certo político, a cuja luz o receio da Rússia derivava da aproximação sistemática da OTAN às fronteiras da Rússia.

Estes nossos comentadores não voltaram a tratar o percetível tema dos gasodutos, nem aquela escapadela de Úrsula sobre o número de mortos ucranianos. A uma primeira vista, acreditam na máxima boa-fé das autoridades suecas, e a tal ponto que se a autoria dos atentados tivesse sido do Reino Unido ou dos Estados Unidos, logo de um modo linear os suecos nos diriam a verdade. Mesmo toda a verdade. Pois, os nossos comentadores parecem acreditar nesta primária historieta.

De um modo muito geral, estes comentadores viam em Donald Trump um horror, capaz mesmo de manter na sua posse documentação classificada, mas já agora com Joe Biden se limitam a assobiar para o lado. Muitos deles, neste passado domingo, viram-se fortemente preocupados com a linguagem utilizada por Lula, não tanto pela tentativa de golpe de Estado. Como se um tal ato precisasse de ser operado por 50 milhões de brasileiros, e não apenas por uns seis ou sete mil!! No fundo, não terão percebido o que um dos filhos de Bolsonaro um dia explicou, sobre a facilidade em deitar por terra o Presidente do Supremo Tribunal Federal.

No meio de tudo isto, uma voz esclarecida e que, não sendo uma singularidade, não é elemento de um conjunto com grande cardinal: o major-general Agostinho Costa, sempre sem se deixar ir na superficialidade das aparências, e mostrando a mais cabal capacidade para nos expor a realidade objetiva. No fundo, uma realidade – esta, que aqui exponho – que nos explica (e com clareza!) a razão de ter conseguido o regime constitucional da II República manter-se em funções por quase meio século. Enfim, o português, de um modo bastante geral, é mesmo assim: não viu, não ouviu, não sabe, não pensa, obedece

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