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Poema “Irmãos” de Celso Emilio Ferreiro, dito por Carlos d’Abreu

Poemário, rúbrica de Carlos d’Abreu, raiano do Douro Transmontano (1961), Geógrafo (USAL/UC), Arqueólogo (UP/USAL) e Historiador (UPT/USAL), colaborador do Centro de Literatura Portuguesa (UC); investigador, poeta (e diseur), antologista e tradutor; conta com várias publicações nestas áreas.

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Irmãos

Caminham junto a mim muitos homens.
Não os conheço. São-me estranhos.
Mas tu, que te encontras lá longe,
mais além dos desertos e dos lagos,
mais além das savanas e das ilhas,
como a um irmão te falo.
Se é tua a minha noite,
se choram os meus olhos o teu pranto,
se os nossos gritos são iguais,
como a um irmão te falo.
Ainda que as nossas palavras sejam diferentes,
e tu negro e eu branco,
se temos as feridas iguais,
como a um irmão te falo.
Por cima de todas as fronteiras,
por cima de muros e valados,
se os nossos sonhos são iguais,
como a um irmão te falo.
De comum temos a mesma pátria,
de comum a luta, ambos.
A minha mão te dou,
como a um irmão te falo.

Poema “Irmaus” de Celso Emilio Ferreiro.
Tradução de Carlos d’Abreu

``Irmão``, poema de Celso Emilio Ferreiro
Poemário de Carlos d'Abreu
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Celso Emilio Ferreiro (1912-1979)

Celso Emilio Ferreiro foi um escritor galego. Era de família remediada, camponesa e galeguista. Aos 22 anos, em 1934, fundou com José Velo Mosquera a Federação de Mocedades Galeguistas.
Quando estalou a guerra Celso Emílio foi obrigado a entrar no exército franquista. Esteve condenado a morte e, nas quatro noites que passou no cárcere até a família conseguir o indulto, escreveu o poema “Longa noite de pedra“, núcleo central do livro do mesmo título.

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