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Planta primitiva com 300 milhões de anos “redescoberta”

Trata-se de uma planta primitiva com mais de 300 milhões de anos, estava guardada nas coleções do Herbário do Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto (MHNC-UP) há mais de um século e foi devidamente identificada e descrita pelo investigador Pedro Correia, alumnus da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP).

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Espécie de fóssil guardada há mais de 100 anos na coleção do Museu de História Natural e da Ciência da U.Porto foi descrita pelo investigador Pedro Correia, alumnus da FCUP.

Trata-se de uma planta primitiva com mais de 300 milhões de anos, estava guardada nas coleções do Herbário do Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto (MHNC-UP) há mais de um século e foi devidamente identificada e descrita pelo investigador Pedro Correia, alumnus da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP).

“Este novo fóssil de planta primitiva das modernas gimnospérmicas revela as primeiras evidências morfológicas de uma adaptação evolutiva aos ambientes em mudança que ocorreram na Bacia Carbonífera do Douro (Ibéria), quando esta região era tropical no tempo em que o supercontinente Pangeia se estava a formar”, explica o investigador, sobre uma descoberta publicada em janeiro de 2022, no jornal Historical Biology.

A Lesleya ceriacoi sp.nov, assim batizada em homenagem a Luís Ceríaco, curador chefe e responsável pelas coleções do MHNC-UP, é uma prova da adaptação da flora a um clima mais seco. De acordo com Pedro Correia, desapareceu, nesta época, flora típica de zonas húmidas, espécies formadoras de carvão como as licófitas e apareceram plantas adaptadas.

“Tais adaptações morfológicas especializadas compreendem margens dentadas e dissecadas (laceradas) em folhas estreitas e que ocorreram durante uma importante mudança climática no período Carbónico. Esta mudança climática do passado correspondeu a uma transição de um clima húmido para um clima seco e árido após o final de uma Idade do Gelo (glaciação) do Paleozóico no sul do continente Gondwana no final da era Paleozóica”, acrescenta o investigador, doutorado em Geociências pela FCUP.

Por outro lado, estas margens dentadas podem também significar um mecanismo de defesa contra ataques de insetos herbívoros (insetos galhadores).

Conhecer o passado para compreender o futuro

Sobre a importância desta descoberta, o alumnus da FCUP não tem dúvidas: “Este artigo é fundamental para compreender as adaptações das plantas às mudanças climáticas e a evolução das composições florísticas residentes que ocorreram na Península Ibérica durante os tempos Carbonífero e Pérmico. Além disso, este estudo original fornecerá informações únicas sobre como a natureza se adapta ao clima mais quente e seco que pode caracterizar o futuro da Península Ibérica”, refere Pedro Correia.

Esta descoberta paleontológica nas coleções históricas do MHNC-UP representa igualmente uma importante contribuição para o conhecimento e compreensão do grupo de “plantas adaptadas ao clima seco” (flora tolerante à seca) que ainda é pouco conhecido para os ecossistemas terrestres paleozóicos.

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Fonte desta notícia: Faculdade de Ciências da Universidade do Porto

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