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Passaram 135 anos sobre “um beijo de máquinas”

A associação de Fronteira Tod@via propõe a reutilização turística de toda a infra-estructura ferroviária, tanto da plataforma como das estações, para a circulação de veículos não ferroviários de peso e velocidade reduzidos.

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Foi há 135 anos (dia 8 de Dezembro de 1887) quando se celebrou a inauguração da linha-férrea Boadilla/La Fuente de San Esteban – Barca d’Alva, através de um acto simbólico, durante o qual duas locomotivas, uma portuguesa e outra espanhola, se encontraram e se tocaram de frente no meio da ponte internacional, que se encontrava engalanada com bandeiras portuguesas e espanholas. Este acto foi descrito pelos jornalistas da época como “um beijo de máquinas”.

No passado dia 8 de Dezembro a Associação de Fronteira Tod@via honrou a memória daqueles que tornaram possível esta obra. Na província de Salamanca, os promotores mais entusiastas foram Adolfo Galante, deputado às Cortes por Vitigudino, e Ricardo Pinto da Costa, cônsul espanhol na cidade do Porto. A parte mais visível da companhia construtora “Sociétè Financiére de Paris” foram os senhores Wesolouski e Rolin, engenheiro chefe e diretor da Companhia, respectivamente. Na parte financeira, destacou-se o banqueiro português Henry Burnay. Dada a magnitude da obra, foi ela financiada também por Portugal, através do “Sindicato Portuense”, que juntou alguns banqueiros do Porto. O traçado da linha, difícil e de complicada construção, originou uma grande necessidade de mão de obra.

A meados de Julho de 1884, no troço final, trabalharam 636 homens como jornaleiros no movimento de terras, 367 pedreiros na realização de obras de fábrica e 457 viviam o constante perigo da perfuração dos túneis. Os restantes, cerca de dois mil, dedicavam-se a trabalhos de transporte e atividades complementares. Os trabalhadores alojavam-se em barracões, malhadas, currais e palheiros, e uma minoria em casas de habitação.

A linha-férrea La Fuente de San Esteban – Barca d´Alva deixou de prestar serviço comercial por decisão do governo espanhol a 1 de Janeiro de 1985. Em 1996 a Rede Nacional de Ferrocarriles Españoles (Renfe) deixou de cuidar da via. Em 2000 foi classificada como Bem de Interesse Cultural (BIC), com a categoria de ‘Monumento’. Entrando-se a partir daqui numa grave contradição, pois por um lado é declarada a sua proteção através da referida classificação, mas desobriga-se a proprietária da sua manutenção.

Entretanto, concretamente desde 2005 até 2018, e sobretudo desde 2011, é a sociedade civil através da associação Tod@vía, sensibilizada com a vida nas localidades das comarcas do Abadengo e Arribes, e com a completa ausência da colaboração das varias administrações públicas, que através de voluntários, vai mantendo a linha ferroviária, limpando-a da vegetação e repondo as madeiras dos passeios para peões de algumas pontes. Por fim, a Diputación de Salamanca, fez um investimento nos últimos 17 Km, ou seja, entre La Fregeneda – estação internacional – e Barca d’Alva. Considerando a organização administrativa do estado espanhol, verifica-se que tanto o Estado como a Comunidade Autónoma (Castela e Leão) estiveram e estão ausentes, quando são as entidades legalmente competentes relativamente ao Património clasificado”, refere um manifesto tornado público pela Associação de Fronteira Tod@via.

A associação de Fronteira Tod@via propõe a reutilização turística de toda a infra-estrutura ferroviária, tanto da plataforma como das estações, para a circulação de veículos não ferroviários de peso e velocidade reduzidos.

Esta oferta diferente, cultural e lúdica, contempla um leque de opções para deslocações sobre os carris em grupo e controlados, com diferentes modelos de veículos de tração e com assistência ao pedal, que desenvolvem baixas velocidades (20km/h). a segurança do caminho de rolagem vai ligada ao binómio peso-velocidade e se os dois termos são desprezíveis, como no caso que nos ocupa, a plataforma atual ainda que com algumas deficiências é segura porque está sobre-dimensionada para condiciones extremadamente restritivas“, defende a associação.

Estes pequenos veículos (biclonetas, balancins ferroviários, velorrailes, ciclorrailes…) não chegariam sequer a ser considerados veículos ferroviários, pois na sua circulação não têm prioridade nas passagens de nível, ainda que supostamente devam respeitar o protocolo de segurança e circulação que lhe é imposto.

Segundo a associação espanhola “a intervenção não se concebe como um facto isolado senão que, mais do que um itinerário com princípio e fim, sirva de ligação com outras áreas que lhe imprimam continuidade, transformando a visita numa viagem extraordinária“.

Diz a Associação de Fronteira Tod@via que “continuará a reivindicar a reutilização turística de toda a infra-estrutura ferroviária desde La Fuente de San Esteban a Barca d’Alva, para a circulação de veículos não ferroviários de peso e velocidade reduzidos“.

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