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Para refleção

Dentro desta mesma narrativa, foi-se por igual vendendo a ideia da modernização do Conselho de Segurança, ou seja, de retirar o poder de veto à Rússia e à China.

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Decorre, com uma cadência já bem estacionária, o conflito entre a Rússia e a Ucrânia, na sequência da invasão da segunda pela primeira, e tudo no âmbito da guerra que a OTAN, paulatinamente, foi movendo contra aquela, com a incorporação dos Estados que deixaram de pertencer ao extinto Pacto de Varsóvia, assim se aproximando da fronteira russa. Faltava, finalmente, a entrada da Ucrânia na OTAN, o que permitiria colocar mísseis norte-americanos a sete ou oito minutos de Moscovo.

De modo concomitante, foi-se vendendo a teoria de aparência pacifista, no sentido de que se impunha construir um mundo livre de armas nucleares. Hoje, depois de quanto pôde já ver-se, percebe-se que um tal mundo se saldaria na dominância final dos Estados Unidos e do Ocidente sobre o resto do mundo. E depois, os Estados Unidos, como se percebe, acabariam sempre por manter, fosse do modo que fosse, o seu armamento nuclear, com o espaço europeu sempre dependente do poder militar dos Estados Unidos.

Dentro desta mesma narrativa, foi-se por igual vendendo a ideia da modernização do Conselho de Segurança, ou seja, de retirar o poder de veto à Rússia e à China. E, embora tal regra fosse geral, a verdade é que, de um modo ou de outro, sempre os Estados Unidos, de parceria com o restante mundo de língua inglesa, acabariam por manter o seu poder de fazer o que bem entendessem e sem grandes problemas. Seria, pois, o novo triunfo, sobre os restantes povos do mundo, do espaço cultural europeu, olhado este no seu sentido mais amplo, incluindo o religioso. Ora, o que está a passar-se com este conflito suscita uma reflexão simples, perante um dado deveras objetivo.

Tornou-se mundial o apoio aos ucranianos que fogem da guerra. Ora, nós conhecemos já o que se deu com a fuga de sírios e de outros povos islâmicos, igualmente fugidos da guerra, mas que lá foram sendo colocados em campos de concentração de tendas sobre lama, rodeados de arame farpado. E por igual conhecemos o que a generalidade dos Estados europeus tem feito com os pretos oriundos de África, devolvidos aos seus países, ou deixados à sua sorte e quase sem apoios. Nalguns casos, simplesmente mantidos em navios de socorro que não foram autorizados a atracar em solo europeu.

De modo concomitante, podemos recordar as famílias despedaçadas pelas autoridades norte-americanas, numa desumana violação da estrutura natural da família. E não só com Donald Trump, porque o mesmo se deu com norte-americanos de origem alemã, japonesa e italiana durante a Segunda Grande Guerra. Muitos milhares destas famílias nunca mais voltaram a recompor-se, chegando mesmo a perder o rasto dos seus diversos membros.

A tudo isto há que juntar o histórico exemplo da distribuição das vacinas contra a COVID-19, que quase não chegaram ao Terceiro Mundo, mantido na pobreza por via da exploração neocolonial dos Estados do Primeiro Mundo, sobretudo, os Estados Unidos e os da União Europeia. E foi com imensa graça que aprendi, neste mais recente domingo, pela palavra de Ana Gomes, que Londres era conhecida, desde há muito, como Londongrado, fruto da fantástica máquina de crime organizado ali montada pelos mil e um oligarcas de todo o mundo e naturalmente aceite pelas autoridades britânicas.

Como pude já escrever, desde sempre percebi o que Huntington nos explicou, ao apontar o desenrolar de um conflito de civilizações no mundo destes dias e no futuro que se aproxima. Este conflito, em última análise, suporta-se nas estruturas religiosas. E é também aqui que tem de olhar-se o atual conflito no Leste da Europa, entre a Rússia e a Ucrânia.

A breve trecho irão faltar alimentos, água, bem como condições diversas, que são essenciais a uma vida minimamente digna. Objetivamente, há gente a mais no Planeta, sendo que os islamitas e os pretos apresentam uma taxa de crescimento muito superior à do envelhecido Primeiro Mundo. Portanto, surge a questão: o futuro irá ser fortemente conflituoso, percebendo-se quem irá ter de ser retirado da equação dos gastos públicos… O Ocidente há muito vem dando o exemplo, marginalizando sempre os islamitas e os pretos. E basta imaginar o que se passaria se o atual conflito fosse, por exemplo, entre esta Ucrânia e os Estados Unidos…

É verdade que a Rússia invadiu a Ucrânia, e que tal se constitui numa ilegalidade internacional. A verdade é que este gesto é a consequência natural de quem não quer ver-se apoucado pela guerra que, lentamente, o Ocidente, através da expansão da OTAN para as fronteiras da Rússia, vem movendo contra este Estado. É, no fundo, uma luta entre o Ocidente e o Oriente, o primeiro capitaneado pelos Estados Unidos e por, mais geralmente, o mundo de língua inglesa, muito suportado na estrutura dos five eyes.

Interessante é constatar como os loiros, cristãos e brancos são tratados, justamente, à luz dos mais humanos critérios, que nunca estiveram presentes com muçulmanos ou pretos. É o dito humanismo cristão, o tal dos valores… E não deixa de ser espantoso que nem um só jornalista se tenha determinado a colocar estas realidades aos detentores do poder que agora se bate contra a Rússia. Pelo contrário: instauraram a censura a órgãos de informação russos, proibiram atletas de competir, músicos de trabalhar, etc.. Enfim, temos a democracia.

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