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Palombar protege três ninhos de Tartaranhão-caçador, rapina em perigo de extinção

O tartaranhão-caçador é uma rapina migradora que tem um estatuto de ameaça “Em perigo” de extinção, segundo o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal e as suas populações têm registado um declínio continuado no território nacional.

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A organização não governamental de ambiente Palombar – Conservação da Natureza e do Património Rural implementou medidas de proteção de três ninhos de tartaranhão-caçador (Circus pygargus), uma espécie ameaçada e legalmente protegida, em terrenos agrícolas com culturas cerealífera e forrageira localizados no concelho de Miranda do Douro (distrito de Bragança), em ações realizadas em estreita colaboração com os agricultores locais. Dois dos ninhos foram identificados por um técnico da organização e o terceiro por um trabalhador agrícola. No total, os ninhos tinham oito ovos e três crias e a sua proteção contribui fortemente para assegurar o sucesso reprodutor e o potencial aumento de efetivos da espécie.

O tartaranhão-caçador é uma rapina migradora que tem um estatuto de ameaça “Em perigo” de extinção, segundo o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal e as suas populações têm registado um declínio continuado no território nacional. Os casais nidificantes desta espécie no país representam cerca de 13 por cento da população europeia (excluindo a Rússia). Esta é uma espécie de conservação prioritária em Portugal e que está protegida através da transposição para a legislação nacional da Diretiva Aves da União Europeia, e das Convenções de Berna, de Bona e de Washington. A região Nordeste do país regista um efetivo populacional relevante de tartaranhão-caçador e, tendo em conta esta realidade, a Palombar tem desenvolvido ações dirigidas para esta espécie com o objetivo de monitorizar as suas populações e detetar casais e ninhos existentes no território, sobretudo no Planalto Mirandês.

Os três ninhos de tartaranhão-caçador identificados e protegidos não estão atualmente localizados em território da Zona de Proteção Especial (ZPE) Douro Internacional e Vale do Águeda da Rede Natura 2000, contudo, encontram-se abrangidos pelo novo limite proposto para o alargamento desta ZPE pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), o que confirma e corrobora a importância do aumento da extensão desta área protegida ao abrigo da Diretiva Aves da União Europeia para a conservação das aves estepárias e outras espécies de avifauna em risco.

O primeiro ninho de tartaranhão-caçador foi identificado no dia 21 de maio, o segundo no dia 2 de junho e o terceiro no dia 9 de junho. A identificação dos locais de nidificação foi possível devido ao conhecimento, por parte dos técnicos da Palombar, sobre os comportamentos da espécie e os seus habitats preferenciais de nidificação. Após a identificação e localização exata dos ninhos, a Palombar contactou os proprietários dos terrenos agrícolas onde estes se encontravam, os quais, sensibilizados para a importância da espécie e para a necessidade de proteger a biodiversidade, mostraram total disponibilidade para colaborar com a organização nas medidas de proteção a serem implementadas.

Após a autorização dada pelos proprietários rurais, os técnicos da Palombar procederam à instalação de uma vedação para criar um perímetro de segurança e proteção à volta dos ninhos, os quais foram circunscritos por uma rede de malha metálica para evitar a sua destruição e/ou perturbações em consequência das atividades realizadas nos terrenos agrícolas, nomeadamente a ceifa de cereais, gramíneas e leguminosas, que normalmente ocorre no período de nidificação da espécie. A instalação da vedação ao redor dos ninhos foi realizada seguindo as orientações do “Manual de Proteção para os Ninhos de Tartaranhão-caçador (Circus pygargus) em Meios Agrícolas”, 2011, Mãe d’Água, Instituto de Ciências Agrárias e Ambientais Mediterrânicas/Universidade de Évora e Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade.

A organização pretende também desenvolver um trabalho de maior proximidade com os gestores, proprietários e trabalhadores agrícolas da região de Trás-os-Montes, mais especificamente no Planalto Mirandês, em prol da conservação do tartaranhão-caçador.

O papel fundamental dos proprietários e trabalhadores agrícolas

O tartaranhão-caçador é uma espécie estepária que faz os seus ninhos no solo, na grande maioria das vezes, em terrenos cultivados, habitualmente culturas cerealíferas, arvenses e forrageiras. A destruição involuntária dos seus ninhos, ovos e crias por parte de máquinas agrícolas durante a atividade da ceifa, a qual ocorre num período temporal que coincide com a época de nidificação da espécie, entre finais de abril e meados de maio (postura dos ovos) e posterior fase de maturação das crias, constitui uma das principais ameaças ao seu sucesso reprodutor e sobrevivência.

Os proprietários de terrenos e trabalhadores agrícolas têm, desta forma, um papel absolutamente fundamental a desempenhar na proteção e conservação desta ave de rapina. A sua colaboração é imprescindível para que as organizações de conservação da natureza possam executar as medidas que assegurem a sua proteção. A sensibilização e o conhecimento desta espécie e dos seus comportamentos por parte da comunidade, em geral, e dos proprietários e trabalhadores agrícolas, em particular, é igualmente essencial para o sucesso das medidas conservacionistas implementadas no terreno.

A conservação das populações de tartaranhão-caçador promove o equilíbrio dos ecossistemas e beneficia diretamente os agricultores e as suas culturas, pois esta espécie é predadora de pequenos mamíferos roedores e insetos consumidores de sementes e vegetais diversos e contribui para travar o aumento excessivo das suas populações.

Foi o contacto e a colaboração estabelecidos com o proprietário rural e agricultor Emanuel Gonçalo, com o trabalhador agrícola Nelson Preto Jorge e com a Associação dos Criadores de Bovinos de Raça Mirandesa, proprietária de um dos terrenos, e os seus contributos fundamentais que permitiram à Palombar implementar os procedimentos necessários para proteger os três ninhos de tartaranhão-caçador identificados, possibilitando, assim, assegurar o sucesso reprodutor da espécie e contribuir para o potencial aumento da sua população.

Para que seja possível cumprir os dois principais objetivos de conservação do tartaranhão-caçador em Portugal: manter/aumentar a população nidificante e conservar as zonas de nidificação e alimentação, é essencial a implementação de medidas agroambientais e planos de gestão do território e da espécie que envolvam as comunidades locais, bem como a realização de censos nacionais e monitorização da população, de forma a quantificar os seus reais efetivos e identificar os locais onde nidificam, assim como avaliar a evolução das suas populações ao longo dos próximos anos.

A ausência de um censo de âmbito nacional desta espécie não tem permitido ter uma perceção mais precisa sobre a sua dinâmica populacional nos últimos anos ao nível de todo o território. Contudo, sabe-se de declínios dramáticos do tartaranhão-caçador nalgumas zonas, nomeadamente em Campo Maior, onde a espécie sofreu uma forte redução, associada à intensificação da agricultura. O grande decréscimo da cerealicultura extensiva, habitat de que depende a larga maioria dos seus efetivos, é considerado um dos principais responsáveis pela redução das suas populações.

Na vizinha Espanha, de acordo com dados do último censo realizado em 2017 e publicado em 2019, entre 2006 e 2017, as populações de tartaranhão-caçador diminuíram 23%, segundo a Sociedade Espanhola de Ornitologia (SEO/Birdlife).

Tartaranhão-caçador: o exímio predador

O tartaranhão-caçador ou águia-caçadeira, a mais pequena das águias europeias, é uma espécie exímia na arte da caça e da predação e não é por acaso que os adjetivos “caçador” e “caçadeira” integram os seus nomes comuns. Esta rapina apresenta movimentos ágeis, rápidos, silenciosos e precisos e tem, por isso, uma grande habilidade para caçar presas vivas de pequenas dimensões. O tartaranhão-caçador é uma espécie nidificante estival, pelo que só está presente no território nacional a partir de meados de março até setembro. Esta espécie passa o inverno em África.

O macho apresenta uma plumagem cinzento-azulada, asas muito compridas e estreitas, corpo esguio e cauda comprida e estreita, de coloração negra. Em voo, distingue-se uma banda preta nas penas secundárias. A fêmea e os juvenis apresentam uma plumagem de tons castanhos-arruivados.

O seu habitat de eleição são áreas predominantemente desarborizadas, com solos secos ou húmidos e associadas a zonas agrícolas, principalmente culturas cerealíferas, arvenses e forrageiras. Reproduz-se em zonas seminaturais caracterizados pela cerealicultura extensiva, embora se possa reproduzir também nos planaltos serranos do centro-leste e norte e ainda em zonas costeiras. Na região mediterrânica, estima-se que 90% dos casais nidificam no interior de searas.

O tartaranhão-caçador alimenta-se essencialmente de pequenas presas: aves, pequenos mamíferos, insetos e lagartos. Apesar de ser considerado um predador generalista, a sua dieta pode apresentar especificidade a nível local na seleção de presas.

Os principais fatores de ameaça para esta espécie são: atividade da ceifa, intensificação da agricultura, abandono agrícola, utilização de agroquímicos, florestação das terras agrícolas, expansão de cultivos lenhosos, perturbação provocada pelas atividades humanas, abate ilegal, pilhagem e destruição de ninhos, e aumento de predadores de ovos e crias.

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Fonte desta notícia: Palombar – Conservação da Natureza e do Património Rural - Texto na íntegra
Créditos da imagem: Palombar – Conservação da Natureza e do Património Rural
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