Informativo Digital do Nordeste Transmontano

Os especialistas

Invariavelmente, estes nossos especialistas começam por dizer nada conhecerem do que possa ter-se passado, ou do que as autoridades competentes possam ter já conseguido saber. Num ápice, começam, então, a explicar consequências diversas à luz de meras hipóteses sem sustentação

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Como é do conhecimento de todos, a criminalidade violenta tem vindo a apresentar um pico inusual. Dizem alguns dos nossos especialistas que tal facto poderá estar ligado ao confinamento que se viveu entre nós e que agora recebeu uma diminuição forte. É possível. Todavia, não foi por via desta situação que me determinei a escrever o presente texto, mas sim pelo facto de, muito antes, ainda, de se conhecer o que quer que seja, como maior ou menor fidedignidade, de pronto nos surgirem nos canais televisivos os tais nossos especialistas, inquiridos sobre o que acham que poderá ter-se passado neste ou naquele caso.

Invariavelmente, estes nossos especialistas começam por dizer nada conhecerem do que possa ter-se passado, ou do que as autoridades competentes possam ter já conseguido saber. Num ápice, começam, então, a explicar consequências diversas à luz de meras hipóteses sem sustentação : se se tiver passado isto, a consequência é esta; se tiver sido aquilo, a consequência é aquela; etc., etc.. E toda esta conversa se desenrola por horas, dias, até semanas. Um verdadeiro folhetim.

Há também casos em que os referidos especialistas apontam a falta de interesse na colaboração com as autoridades como o sinal que logo fez soar todas as campainhas. Porém, outros casos existem em que o que fez soar as tais campainhas foi, precisamente, o enorme interesse em colaborar com as autoridades, ou seja, o contrário do que se havia dito na outra situação. Ou seja: as campainhas deverão estar sempre a tocar. Se se colocar de lado a parte trágica destes casos, a conversa dos especialistas consegue até ser cómica.

E depois, surgem-nos realidades verdadeiramente estranhas: ninguém, no ambiente televisivo, se preo-cupa em operar uma qualquer investigação ao que era a vida das vítimas. Como se percebe facilmente, para lá de vítimas, tais concidadãos poderiam, porventura, manter vidas perigosas, porventura ilegais. Ou, pelo contrário, nunca terem vivido qualquer situação deste tipo.

Acontece também, pelo menos pelo lado de quem é espetador, que está sempre presente uma hierarquia de qualidade aparente: especialistas de primeira linha, de segunda linha, de terceira linha, etc.. Tive já a oportunidade de testar esta minha impressão-hipótese junto de gente conhecida ou amiga, e, de um modo muito geral, todos pensam do mesmo modo, praticamente sem hesitar. Ora, isto tem de ser correspondido com o que os próprios especialistas também pensam da situação, bem como com os que lhes são mais íntimos.

Mesmo por fim, este dado certo e cabalmente visível: não faltam especialistas a esmo, mas a situação piora, no plano criminal, a cada dia. Espantosamente, os portugueses tiveram há dias a possibilidade de poder assistir ao final do caso da Academia de Alcochete. Bom, simplesmente espetacular!!

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