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Ora aí está uma justíssima proposta!

Em contrapartida, Nicolas Maduro agradeceu o apoio dos países que estão a ajudar a Venezuela no combate à pandemia associada à COVID-19, destacando Cuba, que enviou um grupo gigantesco de médicos, e a China e a Rússia pelo apoio logístico.

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Num destes dias, o Presidente da Venezuela surgiu com uma ideia, que materializou numa proposta apresentada ao que designou por Movimento de Países não Alinhados, sem dúvida justa e muito interessante: que a Organização Mundial de Saúde seja nomeada para o Prémio Nobel da Paz pelo seu papel na luta contra a pandemia provocada pelo novo coronavírus. E logo juntou que tal galardão, a ser atribuído, seria um reconhecimento justo na luta pela saúde e pela vida.

Esta iniciativa de Nicolas Maduro tem de ser apreciada à luz de três facetas. Por um lado, por via do ódio mortal de Trump àquela organização, que sempre assegurou que o novo coronavírus não era derivado de nenhuma manipulação artificial feita em laboratório. Por outro lado, a Organização Mundial de Saúde merece justamente o galardão em causa, seja por este caso do novo coronavírus, seja por toda a sua restante atuação. E, por fim, porque Nicolas Maduro, naturalmente, tenta utilizar este justo reconhecimento com a finalidade de punir o distúrbio político de Donald Trump com este caso da COVID-19, que sempre recusou enfrentar, mau grado os diversos avisos que a si chegaram.

Ainda assim, uma coisa é o aproveitamento político da trapalhada criminosa criada por Trump ao seu povo, outra a validade objetiva do reconhecimento à organização em causa. Uma organização que Nicolas Maduro diz ser a única de natureza multilateral que a Humanidade tem como órgão orientador em matéria de saúde pública no mundo. Será que se Dönitz, já detido, propusesse o Prémio Nobel da Paz para a Organização das Nações Unidas, o mesmo não viria a ser atribuído, só por via da qualidade do proponente? Ou será que 2 + 2 = 4 só é uma proposição verdadeira em função de quem a enuncia?

Em contrapartida, Nicolas Maduro agradeceu o apoio dos países que estão a ajudar a Venezuela no combate à pandemia associada à COVID-19, destacando Cuba, que enviou um grupo gigantesco de médicos, e a China e a Rússia pelo apoio logístico. Infelizmente, não pôde agradecer aos Estados Unidos, uma vez que estes nunca aceitariam tentar salvar vidas venezuelanas por via de um tique ideológico. Não fora tal, e Nicolas Maduro teria também de agradecer um tal Sorriso do Jaguar, recordando Salman Rushdie.

Simplesmente, quando Nicolas Maduro reconhece que sem o apoio logístico da China e da Rússia teria sido impossível fazer os milhares de testes que se fizeram, a verdade é que os próprios norte-americanos se viram na quase impossibilidade de ser testados, porque os testes eram financeiramente inacessíveis e porque nem sequer existiam em quantidade minimamente adequada. Lamentavelmente para os norte-americanos, o seu acesso a cuidados de saúde é quase só para bons ricaços.

Um dado é certo: olhando as condições em que se encontra a Venezuela, com quase trinta milhões de habitantes, ela é dos países menos atingidos pela pandemia na América Latina, com 357 casos de infeção e 10 mortes há um ou dois dias.

Infelizmente para o mundo, esta ideia de Nicolas Maduro, de propor ao dito Movimento de Países não Alinhados que a Organização Mundial de Saúde seja apoiada na atribuição do Prémio Nobel da Paz, terá de enfrentar o poder e a influência diplomática dos Estados Unidos, para mais perante a fraqueza política de tantos Estados do mundo de hoje, mormente os europeus. Mas, enfim, vamos esperar.

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