Informativo Digital de Trás-os-Montes e Alto Douro

Oportunidades perdidas

om frequência quase diária, lá surgiram hoje algumas imagens de Llloyd Austin, nos Estados Unidos, operando algumas considerações em torno das recentes fugas de informação secreta.

228

Qualquer um de nós pode dispor de oportunidades perdidas. Uma dessas oportunidades é a de estar calado. E foi o que, de ontem para hoje, tive a possibilidade de acompanhar, por acaso em situações realmente diferentes.

Creio que nas mais recentes cerimónias do Dia 10 de Junho o convidado do Presidente da República foi o académico Jorge Miranda. Ora, na sua intervenção, porventura entre outros aspetos, abordou a quantidade e frequência dos atropelos à língua portuguesa, talvez também as constantes incorreções informativas que vão surgindo, mormente no domínio das designações de estruturas e instituições. Pois, é destas áreas que hoje escrevo estas linhas.

Com frequência quase diária, lá surgiram hoje algumas imagens de Llloyd Austin, nos Estados Unidos, operando algumas considerações em torno das recentes fugas de informação secreta. Na circunstância, quem expunha o que estava a passar-se lá voltou a referir o que seriam ali as palavras do Secretário de Estado norte-americano da Defesa. Uma pecha com décadas, e muitas.

Na nomenclatura governamental dos Estados Unidos, o título de quem tutela a área da Defesa é o de Secretário da Defessa. É uma expressão que corresponde, em Portugal, a Ministro da Defesa. Do mesmo modo, o Secretário da Agricultura é o homólogo do nosso Ministro da Agricultura, tal como o Secretário da Educação o é do nosso Ministro da Educação. A palavra “Secretário” corresponde à nossa “Ministro”.

Simplesmente, em Portugal a pasta dos Negócios Estrangeiros é liderada pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros, mas nos Estados Unidos este cargo é designado por Secretário de Estado. Ou seja, Secretário de Estado da Defesa seria o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Defesa, o que, para lá de contraditório, não existe. É claro que também podem alguns dizer que, na língua portuguesa se escreve ministro da Defesa e não Ministro da Defesa. Simplesmente, eu sempre prefiro esta forma, com maiúscula nas duas palavras: é mais elegante, como eu sinto.

Uma outra situação, em que teria sido preferível estar calado, surgiu-me ontem, com o atual líder da CIA a chamar a atenção para que a Rússia, pelo andar das coisas, corre o risco de vir a ser colonizada economicamente pela China, dado que vive hoje fortemente dependente da exportação de combustíveis fósseis para este último país. Mas, afinal, não se dizia que era a Europa que se havia tornado dependente da Rússia por via do mesmo mecanismo?! Afinal, em que se fica? Burns podia ter-se defendido melhor, desenvolvendo mais os diversos fatores que estão em jogo. Simplesmente, a questão que importa perceber é esta: que razões o impediram de ir mais longe?

Publicidade