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O terrível desespero da direita e a reaparição de Cavaco

O atual momento político nacional carateriza-se por uma realidade muito simples de perceber. Por um lado, Portugal, à luz dos critérios usualmente considerados, está num verdadeiro crescendo. Até as agências de notação financeira já nos apontam um novo salto, agora para um patamar bastante melhor e ainda mais seguro.

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Tive já a oportunidade de salientar que não se deve dar um qualquer crédito às sondagens. As recentes eleições na Turquia lá voltaram, mais uma vez, a mostrar a pertinência do que defendo há muito. Uma realidade em que nunca serão esquecidas as mais recentes eleições para deputados à Assembleia da República, em que, depois de semanas a fio a garantir-se um empate técnico, o PS de António Costa acabou por vencer com maioria absoluta. Indubitavelmente, os portugueses conseguiram perceber o risco que corriam se o resultado fosse o diariamente apregoado.

O atual momento político nacional carateriza-se por uma realidade muito simples de perceber. Por um lado, Portugal, à luz dos critérios usualmente considerados, está num verdadeiro crescendo. Até as agências de notação financeira já nos apontam um novo salto, agora para um patamar bastante melhor e ainda mais seguro.

Esta realidade tem vindo a permitir que o Governo de António Costa, sem perder o controlo global da situação, tenha vindo a garantir quase tudo o que foi prometido aos portugueses, mas em condições de se poder ir bastante mais longe.

Por outro lado, a grande comunicação social, hoje completamente alinhada à Direita, hipertrofia, a um ritmo horário, os mais ínfimos casos que possam surgir com governantes. Uma realidade sobre que José Pacheco Pereira já se pronunciou, salientando estas duas coisas: que nenhum Governo, incluindo do PSD, consegue enfrentar este tipo de jogo comunicacional, mas logo referindo que, se vier o PSD a formar Governo, esta realidade, depois, deixará de estar presente. É caso para perguntar: de tudo isto, dito por José Pacheco Pereira, o que é que o leitor não compreendeu?

Ora, a grande verdade é que o Governo também tem ajudado a que esta chicana política da Direita e da Extrema-Direita possa ir fazendo o seu caminho, sempre muito bem suportadas na grande comunicação social.

Por fim, há que também referir tudo quanto o causídico Manuel Magalhães e Silva, muito certeiramente, referiu já, por vezes diversas, sobre a infeliz atuação do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, que foi o que acabou por potenciar a continuação de João Galamba no Governo atual. Mas também aqui a grande comunicação social dispõe da sua quota-parte – e não é pequena – de culpa, olhando sempre tudo o que faz o Presidente da República como uma graça, ou de um modo acrítico. Imagine o leitor o que se teria dito do Governo se o que se passou com o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, depois da cerimónia militar em Sintra, se tivesse passado com o Primeiro-Ministro.

Em contrapartida, a generalidade das pessoas encontra-se a anos-luz de olhar Luís Montenegro como um líder político. E muito menos como alguém com as condições para liderar o Governo de Portugal. É bom não esquecer que até Rui Rio, se não erro, o levou de vencida por duas vezes.

Ora, foi perante tudo isto, que nos surgiu agora Aníbal Cavaco Silva, naquele encontro de autarcas do PSD. Já ninguém discute que esta sua intervenção visou suprir a enorme lacuna que Luís Montenegro não consegue preencher. Uma intervenção – a de Cavaco – que se caraterizou por duas linhas centrais.

Em primeiro lugar, uma explicação longa sobre o caminho a seguir pelo PSD de Luís Montenegro. Por ela se perceberam duas coisas: evitar dizer, tanto tempo quanto possível, ao que se vem; e evitar dar palpites sobre formas destinadas a conseguir maiorias governação.

No primeiro caso, evita-se ter de mostrar um programa de governação, porque ele será sempre o regresso às linhas de ação política de Pedro Passos Coelho e Paulo Portas. No segundo caso, uma coligação com o Chega, que bem poderá vir a impor-se, será para expor apenas após as eleições.

E, em segundo lugar, o coro de críticas ao Governo de António Costa, e a este mesmo, onde pontificou uma linguagem inusual na democracia portuguesa depois do PREC. Foi, como alguém já referiu, uma linguagem com ares de raiva e de ódio. Mas foi a linguagem do desespero.

No meio de tudo isto, a realidade: Cavaco talvez não tenha ainda percebido que já pouco conta no seio da sociedade portuguesa. Como muitas vezes digo, a uma nota de 100 euros por cada um dos presentes ali que já disse de Cavaco cobras e lagartos, e eu seria um homem rico.

Por fim, de novo a grande comunicação social. Dentro de umas horas poucas, iniciar-se-á em Alvalade o jogo de futebol entre o Sporting e o Benfica. Acha o leitor que é coisa natural, por parte dos nossos canais televisivos, passar dias, semanas e meses a falar do jogo, e tudo isto a um ritmo horário, com convidados os mais diversos, muitos deles repetidos? Claro que não! Mas é isso que acontece com o Governo de António Costa, a que a grande comunicação social dá o tratamento que se vai podendo ver. E sabe o que lhe digo de tudo isto, caro leitor? Degradante! Simples e singularmente degradante!!

Tal como há um tempo salientei o imperativo de comparar o estado do Mundo que Guterres encontrou quando chegou à ONU com o que irá deixar à saída, também se começa a impor-nos a comparação do País quando Marcelo chegou a Belém com o que está já hoje a passar-se. E – ironia do destino – Guterres e Marcelo foram sempre dois grandes amigos.

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