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O que tem de ser tem muita força

Como se tem podido observar à saciedade, a grande comunicação social, hoje completamente alinhada com a Direita e a Extrema-Direita, lá vai fazendo o que pode para colocar José Luís Carneiro num potencial primeiro lugar. Simplesmente o que tem de ser tem muita força.

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A noite de ontem trouxe-nos, por via da CNN Portugal, um interessante e mui significativo debate entre Adalberto Campos Fernandes e Sérgio Sousa Pinto, travado em torno da eleição do próximo fim-de-semana, que levará à escolha, pelos militantes do PS, sobre quem irá suceder ao atual Secretário-Geral, António Costa. E são três os nomes que estão em jogo, embora apenas sejam tidos em conta Pedro Nuno Santos e José Luís Carneiro.

Não sendo, nem tendo nunca sido, militante do PS, a verdade é que propendo, e de um modo claro, para o primeiro daqueles dois. Como pude já expor, ele é o mais temido pelo PSD de Luís Montenegro, ou os militantes do PSD não andariam por aí, com ar de aparência forte, a expor que Pedro Nuno é o que mais convém para que o PSD venha a vencer as eleições do próximo março. Foi, porém, uma estratégia mal arquitetada.

Há, desde logo, uma diferença importante entre Pedro Nuno Santos e José Luís Carneiro: o primeiro é um político, o segundo alguém muito mais virado para a gestão das suas funções. De resto, se há marca que não está presente em José Luís Carneiro é a do homem político. Ou antes, a de um líder político, em condições de deixar transparecer um poder intrínseco de liderança. Em síntese: falta a José Luís Carneiro a alma própria de quem é político e consegue visionar linhas de uma grande estratégia, que é o que se passa com Pedro Nuno Santos.

Como se tem podido observar à saciedade, a grande comunicação social, hoje completamente alinhada com a Direita e a Extrema-Direita, lá vai fazendo o que pode para colocar José Luís Carneiro num potencial primeiro lugar. Simplesmente o que tem de ser tem muita força.

O debate de ontem, moderado pela bela e competente Sandra Felgueiras, começou logo por Sérgio Sousa Pinto, o que ditaria, em princípio, que Adalberto Campos Fernandes viesse a ser quem iria encerrar o debate, deixando as suas últimas palavras no ouvido dos espectadores. O problema, também aqui, é que Adalberto é, no fundo, um gestor – tal como José Luís Carneiro –, ao passo que Sérgio é um político – como se dá com Pedro Nuno Santos. É molengão a falar, mas também sabe ser rápido, oportuno e eficaz sempre que necessário. E de tudo isto resultou este saldo final: também foi Sérgio Sousa Pinto a encerrar o debate. E de que modo!

Lamentavelmente, Sandra Felgueiras deitou-se a tentar deixar no ouvido dos espetadores o que Sérgio Sousa Pinto logo evitou que passasse: de facto, Pedro Nuno Santos nunca disse que tinha como objetivo central reeditar a Geringonça. E foi de extrema infelicidade aquela ideia de Adalberto, a cuja luz Mário Soares nunca admitira acordos com a sua Esquerda. O PSD foi rico em deitar mão deste errado argumento, e talvez ele passasse com alguém do PS que não tivesse mantido com Mário Soares a intimidade que se deu com Sérgio Sousa Pinto, de modo que a resultante desta conversa foi a que se viu: Adalberto lá calou e consentiu.

Espero que os militantes do PS tenham o bom senso suficiente para decidirem em função das realidades que aqui refiro. De resto, é difícil não ter já percebido que o desejo dos dirigentes do PSD é ter José Luís Carneiro à frente do PS… Enfim, foi um debate muito esclarecedor Quase com toda a certa, muito mais do que Sandra poderia imaginar.

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