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“O poético polícia”, poema de Jesús Lizano

Poemário, rúbrica de Carlos d’Abreu, raiano do Douro Transmontano (1961), Geógrafo (USAL/UC), Arqueólogo (UP/USAL) e Historiador (UPT/USAL), colaborador do Centro de Literatura Portuguesa (UC); investigador, poeta (e diseur), antologista e tradutor; conta com várias publicações nestas áreas.

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O poético polícia

Todos os dias
o encontrava na rua
escrevendo na sua caderneta
ou caderno
suponho que denúncias,
multas, avisos,
suspeitas…
Todos os dias,
com a sua farda e armas,
silencioso, apoiando-se
nos carros,
nas árvores,
sentado em algum banco…
sem deixar de anotar
o que suponho anotam
os polícias…
Que invenção
a Polícia …
O caso é que já levava
sem o ver algum tempo
quando o vi de novo
sem armas, sem farda
mas escrevendo, anotando
notas e mais notas
no seu caderno
ou caderneta.
Pensei:
Quem sabe já não pertence
à polícia municipal mas à secreta …
Tinha as minhas dúvidas…
Encontrei-me
com um mamífero amigo
e contei-lhe a surpresa
em que me encontrava
face a essa mudança …
Como? Não sabes?
Já não é polícia
disse-me.
Abandonou esse “ofício”,
esse uniforme, esse domínio.
– Mas continua escrevendo
no seu caderno como sempre,
todos os dias…
E revelou-me o segredo:
Não podia continuar
dentro de um uniforme
(qualquer uniforme …),
aquela forma de vida …
Uniforme à vida?
Era poeta:
como podia ser polícia…?

Jesús Lizano

O poético polícia
Poemário de Carlos d'Abreu
O poético políciaPoemário de Carlos d'Abreu
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Jesús Lizano foi um poeta e um pensador libertário espanhol, ligado ao movimento anarquista. Defendeu o Misticismo Libertário que concebia a evolução a partir do mundo selvagem, onde convergem todos os animais excepto a espécie humana, que agora está estagnada no mundo político real, a caminho do mundo real poético .

Estudou filosofia e leccionou, onde foi alcunhado “Antiseñor Lizano” por garantir a aprovação de todos os alunos. Publicou periodicamente “A coluna poética e o poço político” na revista libertária Polémica publicada em Barcelona. Escreveu em jornais.A Sua poesia era oral, o que o levou a participar em numerosos recitais participativos e apaixonados, dos quais existem alguns testemunhos em vídeo que ele editou.

“…exemplo de luta em defesa da humanidade
e de todas aquelas causas justas às quais dedicou a vida… que a sua figura e a sua obra de luta social a favor dos desiguais seja seguida e recordada por muito tempo…”

Créditos da imagem: Jorge Abreu Vale

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