Informativo Digital de Trás-os-Montes e Alto Douro

O instabilizador conceito do Presidente da República

Ora, num dia recente, o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, sem grande lógica, lá se voltou a sair com esta logo aproveitada frase: quando o poder entra em descolagem em relação ao povo, não é o povo que muda, é o poder que muda. No fundo, um pouco mais da sua atual intervenção, muito marcada pela ideia de agitar antes de usar.

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Ninguém já hoje duvida de que a ação política do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa se vem saldando, neste seu segundo mandato, por uma marca nada estabilizadora da ação política da governação. Para lá de em nada ajudar à estabilidade, o que acaba por conseguir é, precisamente, instabilizar, e logo pelo aproveitamento, deveras fácil, da oposição da grande comunicação social, esta claramente apostada num combate ao Governo do PS de António Costa.

Ora, num dia recente, o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, sem grande lógica, lá se voltou a sair com esta logo aproveitada frase: quando o poder entra em descolagem em relação ao povo, não é o povo que muda, é o poder que muda. No fundo, um pouco mais da sua atual intervenção, muito marcada pela ideia de agitar antes de usar.

Acontece que esta frase pode ser multiplamente aproveitada. Então, se o povo não pode ser mudado – não pode, claro está –, será que o Presidente da República o pode se, como se vai vendo, entrar, ele mesmo, em descolagem em relação ao povo? É uma pergunta com toda a lógica, porque o que se tem vindo a ver é que boa parte da descolagem da governação em relação ao povo se vem devendo ao modo perturbador de intervenção do Presidente da República. Um caso deste tipo foi, precisamente, o da pronúncia desta sua frase, que, tanto quanto pude perceber, nada tinha que ver com o tema a ser tratado no lugar em que foi pronunciada.

Objetivamente, os portugueses – é uma postura de sempre – desejam acalmia política e bons resultados. Simplesmente, falar constantemente em bomba atómica – é bomba nuclear e não atómica…–, ou juntar frases que se sabe terem uma validade universal, mas sabendo-se, por igual, que serão sempre aproveitadas pela oposição e pela grande comunicação social, criando um clima de instabilidade político-social, necessariamente acarreta também uma descolagem em relação ao povo, mas aqui por parte do Presidente da República.

Nós temos de acreditar no que o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa nos disse há umas semanas: disse o que se impunha dizer, e que iria estar mais atento, mas isto requer que não atue em termos de constante perturbação político-social, que é o que já deixou de ter lugar, qual luz solar de pouca dura. Enfim…

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