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O céu de agosto de 2020

Só durante o mês de agosto, Marte passa de estar a 95 milhões de quilómetros da Terra, para 74 milhões de quilómetros de distância do nosso planeta, com o brilho a aumentar quase para o dobro.

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Ricardo Cardoso Reis

Ricardo Cardoso Reis é licenciado em Astronomia pela Faculdade de…

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Este agosto atípico, com praias meio vazias, cheias de gente mascarada a manter a distância entre si, tem uma coisa que se manteve constante – a possibilidade de poder olhar o céu.

Durante agosto, a Terra aproxima-se cada vez mais de Marte, a caminho do perigeu (ponto de maior aproximação da Terra) no início de outubro. Com o encurtar da distância, o planeta fica também cada vez mais brilhante no nosso céu.

Figura 1: O céu virado a Este no dia 9 de agosto de 2020, por volta da uma da manhã, com a Lua bem perto de Marte. (Imagem: Ricardo Cardoso Reis/Stellarium).

Só durante o mês de agosto, Marte passa de estar a 95 milhões de quilómetros da Terra, para 74 milhões de quilómetros de distância do nosso planeta, com o brilho a aumentar quase para o dobro.

Na madrugada de 8 para 9, a Lua passa a apenas 2 graus deste planeta, com ambos a nascerem perto das 23:30. Dia 11 a Lua atinge o quarto minguante.

É nesta fase que o nosso satélite natural vai estar durante o pico da chuva de meteoros da Perseidas, que ocorre no dia 12. Com a Lua cerca de 35% iluminada, Lua, o número de meteoros visíveis durante o máximo deve cair para metade, mas ainda assim, em céus escuros, deve ser possível observar até 60 meteoros por hora. Das cidades, tipicamente podem esperar ver apenas os mais brilhantes destes meteoros, ou cerca de 10%.

O registo mais antigo das Perseidas teve origem na China, no ano 36 d.C. Na mitologia grega, as Perseidas comemoram a altura em que Zeus visitou a princesa Dánae, com quem teve um filho – o herói Perseu, o mesmo da constelação onde está situado o radiante da chuva (ponto de onde parecem emanar os meteoros).

As Perseidas ocorrem quando a Terra cruza o rasto de poeiras deixado pela passagem do cometa Swift-Tuttle, um cometa com um núcleo de 26 quilómetros de diâmetro (por comparação, o meteorito que terá provocado a extinção dos dinossauros teria “apenas” 12 km).

A última vez que este cometa passou perto da Terra foi em 1992, e com uma órbita de pouco mais de 133 anos, voltará em 2126. Nesse ano será tão brilhante como a estrela Vega e perfeitamente visível a olho nu.

Na madrugada do dia 15, a Lua passa a 5 graus de Vénus. A Lua nasce por volta das 2:45, com o planeta a subir acima do horizonte meia-hora depois.

Dia 19 ocorre a lua nova e no dia 25, a Lua atinge o quarto crescente.

Entre os dias 28 e 29, a Lua passa bem perto dos planetas Júpiter e Saturno, estando a 3 graus de Júpiter no dia 28 e a 3 graus de Saturno no dia 29.

Boas observações.

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Fonte desta notícia: © 2020 - Ciência na Imprensa Regional / Ciência Viva
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