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Notinhas

Foi com imensa graça que acompanhei a ligeira baralhada vaticana ao redor do caso do crime e do pecado da homossexualidade. Achando graça à posição adotada por Francisco, num ápice me quedei boquiaberto com a reação da Conferência Episcopal de Espanha.

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O desenrolar dos acontecimentos no mundo, para lá de vertiginoso, mostra por igual alguma imprevisibilidade, embora já se possa perceber que os Estados Unidos, liderando o Ocidente, trabalham, arduamente, para criar as condições de aparente justificação para se iniciar a guerra mundial que permitirá que continuem a dominar o Planeta. A balbúrdia, porém, desenrola-se por tudo o que é lugar. Ou quase. E é sobre algumas destas balbúrdias que se debruça o presente texto de notinhas.

Agricultura

Como teria de dar-se, continuam os ataques ao atual Governo do PS de António Costa, ainda no rescaldo daquele histórico falhanço das sondagens, com uma maioria absoluta a sair do empate técnico repetido à saciedade. Um acontecimento que fez doer a muita gente, e que é suporte da desagradável reação que se vai podendo ver ao dia-a-dia.

Pois, nos últimos dias, aí nos surgiram os ataques à Ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes. Num ápice, a nossa acéfala grande comunicação social passou a deitar mão do caso da Agricultura. E se anda há dias o problema era o de poder saber o que se passava com a ex-Secretária de Estado, já hoje o problema é o de alguém nomeado para um alto cargo da Administração Pública, mas que tem – ou nem tem? – problemas.
É hoje verdadeiramente fantástica a luta por chegar ao poder, seja por parte do PSD, seja pelo seu essencialíssimo parceiro potencial, que é o Chega de André Ventura. No meio desta luta, sobretudo por parte do PSD, o fabuloso docinho oferecido pelo Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, com aquela mui pouco democrática ideia do ano de teste ao Governo, também eleito com maioria absoluta. É caso para que gritemos: temos a democracia.

Comentadores PS

O PS, com aquela sua marca de que a liberdade de opinião no seu seio é total, acaba por fornecer à grande comunicação social o melhor ingrediente que a oposição pode desejar: comentadores que só criticam o Governo do PS de António Costa, deixando completamente em paz os partidos da oposição. Partidos que, no lado direito da política, nada dizem de palpável, de concreto, sobre como se propõem tratar a Saúde, a Segurança Social, a Educação, etc.. O que deles nos chega é que tudo está mal, e que a culpa é do Primeiro-Ministro. Um verdadeiro programa de Governo, dada a sua abrangência!!

Pelo meio desta barulheira, os comentadores do PS. De João Soares, bom, o melhor é evitar comentários. De Ana Gomes, começa a surgir a imagem de alguém que sabe que o que diz não merece a atenção de quase ninguém. De Sérgio Sousa Pinto, intervenções interessantes, até engraçadas, mas que não são levadas em linha de conta. De Álvaro Beleza, bom, o indescritível, completamente trucidado por Miguel Relvas. Enfim, um conjunto quase vazio de conteúdo com real impacto. E, de facto, os nossos canais televisivos escolhem estes elementos do PS bem ao gosto da Direita.

O direito à greve

Vão quase em meio século as críticas ao regime constitucional da II República. Uma dessas críticas era a de ser proibido o direito à greve. O problema, porém, foi o PS ter chegado ao poder, porque logo o referido direito passou a ser bem malfadado. E do PSD, ou da IL, bom, o que sobressai é o silêncio. Defendem os professores, mas sem especificarem como resolverão o que está em jogo, e muito menos defendendo o direito à greve. Enfim, é a democracia, e bem ao vivo.

Palco-altar

É interessantíssimo assistir-se à loucura que se vem desenvolvendo em torno do palco-altar destinado a Francisco, que nele irá estar presente durante a Jornada Mundial da Juventude. Afinal, ninguém responde por nada, todos pretendem o melhor, admitindo-se agora rever o máximo que ainda possa ser alterado, de modo a gastar o mínimo dos mínimos. Para mim, tem sido um dos acontecimentos mais interessantes de acompanhar. Ficará inesquecível.

Joelho

Tenho vindo a manter toda a minha atenção a este acontecimento católico romano mundial, mas fruto, sobretudo, do estado do joelho do Papa Francisco. Desde que não pôde estar presente no funeral da Papisa Anglicana – Isabel II –, por via do estado do seu joelho, que acompanho os movimentos pontifícios. Felizmente que tudo parece ter melhorado, dado que não tem parado de deslocar-se a lugares diversos do mundo o Papa Francisco.

Ligeira baralhada

Foi com imensa graça que acompanhei a ligeira baralhada vaticana ao redor do caso do crime e do pecado da homossexualidade. Achando graça à posição adotada por Francisco, num ápice me quedei boquiaberto com a reação da Conferência Episcopal de Espanha. Mas tudo voltou ao lugar, agora já com um novo sorriso meu, com a explicação fornecida por Francisco. Ficou-me a ideia de que deverá existir por aí muita gente desejosa de o ver pelas costas…

Mísseis boris

Muito mais engraçado foi saber agora da existência dos mísseis Boris, e na posse das Forças Armadas da Rússia. E tudo consequência daquela mente baralhada do antigo Primeiro-Ministro britânico, personagem que suscitou, e por todo o mundo, a máxima credibilidade política. Johnson nem se deu conta de que tais mísseis não existem, e que tudo não passou de um inglês não completamente dominado.
No meio desta brincadeira, há um dado que Johnson nos confirmou: a entrada da Ucrânia na OTAN não seria imediata, embora o viesse a ser mediatamente…

Putin e Órban são maus, Netanyahu é bom

Os últimos acontecimentos em Israel mostram que, por aquelas bandas, ter vários processos em tribunal não é razão para não se ser Primeiro-Ministro. E mais: a legitimidade do voto eleitoral está acima das leis e da sua aplicação pelo Supremo Tribunal.

Ao redor desta temática, fiquei em boa medida surpreendido com a pergunta de André Carvalho Ramos, da CNN Portugal, ao académico Tiago André Lopes: mas então, os Estados Unidos contestam a Rússia, pela invasão e tomada de territórios na Ucrânia, mas consentem o mesmo em Israel?

Uma pergunta que se constituiu, no fundo, numa objetiva definição do conceito de Direito Internacional Público. Um tema sobre que aquele jornalista visionará com vantagem a entrevista de Francisco Seixas da Costa a Miguel Sousa Tavares, no final do noticiário das 20.00 da TVI, há já um tempo. Duas singularidades: a entrevista do embaixador e a coragem de formular aquela pergunta ao académico.

Muito chegados

A resposta de Miguel Pinto Luz aos jornalistas, no final do congresso do Chega constituiu-se numa verdadeira revelação da política de alianças do PSD: se necessário, Chega(r-se-á) para a Extrema-Direita. E não é verdade que se tratou de uma autêntica revelação, ainda sem ter sido percebida pelos portugueses? Só por esta resposta, Miguel Pinto Luz ficará na História: ele trouxe para a realidade palpável das coisas políticas o que quase ninguém ainda havia percebido. De um modo simples: PSD e Chega estão como sempre se viram, Chegadíssimos.

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