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“Nocturna fronteira”, poema de Carlos d’Abreu

Nocturna fronteira

                    A Chus Sánchez Villasante

Larga é a noite
Do outro lado tu
Entre nós os montes
por onde ecoa a tristeza
da distância-fuligem
e da solidão-geada

Longe está agora a raia
Mais perto a fronteira
alçada p’ra desunir
o nosso país interior

Marcos são os teus olhos
da permeável fronteira
Contra(o)bando sou eu
que passo            a passo
sem passador-guia
vereda acima e trilho abaixo
circundando a serra
de mil sombras-lobishomens

Entro    saio    volto a entrar
e só tu sabes porque arrisco
só tu sabes porque insisto
em esperar a madrugada

Mil vezes caminho andei
mil vezes fiz caminho
Contornei      ludibriando
e derrubando furtei
todas as fronteiras
desde que ao cemitério fui
deixar carta a minha Mãe!

Carlos d’Abreu

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Publicado por
Notícias do Nordeste