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“no pocinho com ponte”

no pocinho com ponte                                                                                                                    A Helena do Vale Abreu

voltei à velha ponte
e encontrei-a à espera

o rio também por lá continuava
mas olhava taciturno

o talvegue que o tabuleiro salvava
seguia largo desbotado

ferro tempo óxido
ponte rio talvegue

mas foi o rio que tudo começou
pois rasgou o talvegue

e talvegue e rio
quiseram separar os poetas

por isso construíram a ponte.
ponte agora desusada

mas será que foi abandonada?
que nos revela a sombra?

encontro desejo paixão
dois amantes entrelaçados

cuja sensualidade e erotismo
impregnam rio e ponte

por isso o rio abraça a ponte
e a ponte cavalga o rio

ou a ponte engole o rio
e o rio afoga-se na ponte

Carlos d’Abreu

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Publicado por
Notícias do Nordeste