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Não ter que fazer com o tempo

Já todos se deram conta do significado do acordo açoriano do PSD com o Chega! de André Ventura, mas também que Rui Rio, já desde os seus tempos de autarca portuense, apresenta um espírito cartesiano, com fortíssimos laivos de autoritarismo, operado, até, de um modo muitas vezes impensado.

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É verdadeiramente ridícula, porventura secretamente maliciosa, a ideia do PSD de Rui Rio ao vir agora com a iniciativa de voltar a perseguir a Maçonaria, completamente à imagem do que se passou durante o tempo da II República. Infelizmente, Salazar foi bem mais bonomioso para com o mações que parece ser agora o caso do PSD de Rui Rio. Simplesmente, o problema é meramente de luta política, mesmo de luta pelo poder. Há uns anos, houve até quem se determinasse a publicar, em livro, a tese de que Salazar era, também, um mação.

Seria interessante que Rui Rio, tal como o seu colega Coelho Lima, começassem por dizer aos portugueses, de um modo livre de obrigações jurídicas, certamente repletos de orgulho, como agora nos diz Coelho Lima, quem são hoje, no seio dos seus militantes com algum tipo de poder público, os que são membros da Maçonaria, mas também do Opus Dei, da Rosa Cruz, os que apoiaram líderes desportivos nas suas corridas às direções dos seus clubes de futebol, os que defendem o regresso à monarquia, os que frequentaram seminários católicos, etc.. E seria interessante, por exemplo, que se procurassem fortíssimas relações regionais nos órgãos de grandes instituições, públicas ou privadas, do País. E que nos contassem quantos, nessas instituições, têm outra religião que não a católica, ou outra cor de pele que não a branca. Porque se o que o PSD de Rui Rio pretende criar é uma estrutura nacional de tipo orwelliano, bom, há, então, que vasculhar tudo.

Já todos se deram conta do significado do acordo açoriano do PSD com o Chega! de André Ventura, mas também que Rui Rio, já desde os seus tempos de autarca portuense, apresenta um espírito cartesiano, com fortíssimos laivos de autoritarismo, operado, até, de um modo muitas vezes impensado. O problema, como pude já escrever em tempos, até por diversas vezes, é que Rio Rio não nasceu para a política. Talvez para corridas de cem metros, ou de barreiras, ou para gestor empresarial, mas não para a política. Objetivamente, há muito desiludiu a generalidade dos portugueses com o seu tique de ou vai, ou racha.

Por fim, este dado, que mostra a ridícula ideia, mesmo fora da realidade, do PSD de Rui Rio: mesmo que este novo mecanismo, persecutório e perigoso, entrasse em vigor, nem por isso o compadrio, as amizades, os facilitismos, teriam um fim, ainda que não fosse global. O que se passa em Portugal tem que ver com um modo forte de estar na vida dos portugueses, como se pôde ver, à saciedade, com os casos do BPN e do GES/BES, oriundos de concidadãos ligados aos grandes interesses e à Direita. Dois exemplos a que se poderia juntar as magníficas relações do tempo da anterior Maioria-Governo-Presidente com o Governo de José Eduardo dos Santos…

Espero que uma maioria absoluta de deputados tenha o bom senso de impedir mais este passo a caminho de um Estado Novíssimo, mas com partidos de faz de conta. Aqui está mais uma razão em favor do descrédito da democracia e da imagem da III República.

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