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“não desanimeis amigos”, poema de Carlos d’Abreu

Poemário, rúbrica de Carlos d’Abreu, raiano do Douro Transmontano (1961), Geógrafo (USAL/UC), Arqueólogo (UP/USAL) e Historiador (UPT/USAL), colaborador do Centro de Literatura Portuguesa (UC); investigador, poeta (e diseur), antologista e tradutor; conta com várias publicações nestas áreas.

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não desanimeis amigos

                                                                                        Ao Carlos Pedro

não desanimeis amigos
fazei como eu que devo aos gritos surdos
das recusas e indeferimentos da administração
a força da revolta e o grito da determinação

hoje a censura o cárcere a tortura
subtil manobra destra e cavilosa
pretende amansar-nos pelo desânimo

e a verdade é que a maioria vacila
optando pela submissão

não desanimeis amigos
lembrai-vos dos homens e das mulheres
que na permanente adversidade
mantiveram entre as mãos acesa
a chama da Liberdade

fazei amigos como eu
mamífero como vós
mas que nunca perdeu
da divisa a vista: labor omnia
vincit improbus

soa a virgiliano mofo latim?
dizei então: quem quis sempre pôde!

quão grande a dívida que tenho
para com o repressivo aparelho do estado

da mesma forma que a pobreza
imprescindível é aos ricos
devedores são os insurgentes à tirania

há dias uma anciã amiga anti-fascista
devotada e clandestina de outra época
me dizia ter saudades da ditadura
por ter sido tempo de clarividência

não soçobreis amigos
sabei metamorfosear em força
a força que nos recusam
a força que em nós existe

Carlos d’Abreu

``não desanimeis amigos``
Poemário de Carlos d'Abreu
``não desanimeis amigos``Poemário de Carlos d'Abreu
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“não desanimeis amigos”, integra o livro de poesia “[des(en)]cantos e (alguns) gritos“, de Carlos d’Abreu, editado em 2017 sob a chancela da editora Lema d’Origem.

A narratividade dos poemas, associada ao tom coloquial, constitui outro traço distintivo da poética do autor. Muitos dos carmes, em todos os andamentos, evocam as narrativas mágicas e imemoráveis que vão passando de geração em geração. Esta narratividade, coadjuvada pelo ritmo rápido e cadenciado da quadra, predetermina a atenção do leitor para a reflexão e a procura de ‘novos sentidos e possibilidades’”.

Créditos da imagem:Jorge Abreu Vale

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