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Momentos interessantes

Hoje, esta recente entrevista de Richard Moore, para lá da nulidade do seu conteúdo, de parceria com os constantes ditos e posteriores desmentidos do MI6 sobre o Presidente Vladimir Putin e sobre a situação interna da Federação Russa, desenvolvem em mim a ideia antes expendida: continua vivo o trauma dos Cinco de Cambridge no interior do MI6.

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Determinei-me a escrever o presente texto em função da curta entrevista que pude ver de Richard Moore, que lidera o MI6 britânico. É um tema vasto, sempre muito chamativo – eternamente chamativo –, e com uma ampla bibliografia publicada. Desta, há um tema que sobressai de modo forte: o ligado aos Cinco de Cambridge, envolvendo Donald Maclean, Guy Burgess, Anthony Blunt, John Cairncross e Kim Philby.

Muito mais tarde – décadas –, ainda surgiram dúvidas sobre um antigo diretor do MI6, que, depois de aposentado, se determinou a residir na Suíça. A imagem que ficou, no Reino Unido e no Mundo, foi a de que o MI6 estava, desde há muito, completamente infiltrado pelo soviético KGB. Um dado é certo: se não se encontrava tanto assim, encontrava-se há uma boa imensidão de tempo, situação que deixou um trauma que continua vivo. E foi isto mesmo que esta recente e curta entrevista de Richard Moore me faz crer. Uma realidade já espelhada na sucessão de estranhas mortes de russos no Reino Unido, invariável e acefalamente atribuídas ao Presidente Vladimir Putin. Bem a tempo e horas, tive a oportunidade de salientar a completa falta de lógica no modelo explicativo rápida e acefalamente posto em andamento pela sensacionalista grande comunicação social ocidental.

Hoje, esta recente entrevista de Richard Moore, para lá da nulidade do seu conteúdo, de parceria com os constantes ditos e posteriores desmentidos do MI6 sobre o Presidente Vladimir Putin e sobre a situação interna da Federação Russa, desenvolvem em mim a ideia antes expendida: continua vivo o trauma dos Cinco de Cambridge no interior do MI6.

Ora, embora se pudesse ir aqui bem mais longe, aproveitei este texto para lhe enxertar duas interessantes considerações do nosso Embaixador Francisco Seixas da Costa, na sua intervenção na CNN Portugal, ao início deste 19 de julho.

A dado passo, o nosso diplomata referiu que ”…aparentemente, na História da Wagner o Presidente Vladimir Putin saiu por cima, e foi o chefe da sua equipa que saiu por baixo”. É evidentíssimo, mas a nossa grande comunicação social, de um modo completamente acéfalo, tudo tem feito para fazer passar a ideia de que Putin teria saído…fragilizado.

Logo de seguida, Seixas da Costa salientou que “…na Ucrânia, Putin vê a grande ameaça relativamente à própria segurança russa. E porquê? É que Putin vê na Ucrânia aquilo que o mundo ocidental viu na Ucrânia, que era a oportunidade de desequilibrar o poder, em termos de segurança, face à Rússia”. Simplesmente lapidar! Ou seja: a guerra, de facto, é entre o mundo ocidental, liderado pelos Estados Unidos, e a Federação Russa, mas travada no território da Ucrânia. E existem aqui ação e reação: a ação é do Ocidente, a reação foi da Federação Russa.

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