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Mas dizer o quê?!

Acontece que o PSD nada tem de social-democrata, sendo um partido liberal no domínio económico, e hoje fortemente alinhado com o neoliberalismo que continua a manter-se e a destruir o mundo e a vida e o bem-estar dos povos.

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Ana Catarina Mendes, hoje Ministra Adjunta e dos Assuntos Parlamentares, foi uma residente do programa televisivo “O Princípio da Incerteza”. Depois de ter assumido funções na governação do País, foi ali substituída pela deputada e académica Alexandra Leitão, tornando-se evidente a subida forte da qualidade do programa.

Ora, num dia destes, creio que em entrevista radiofónica, Ana Catarina Mendes, abordando o recente texto de Aníbal Cavaco Silva, lá referiu, e com razão, que este nada diz no seu artigo do que quer para o País. Bom, a dirigente do PS tem aqui a mais cabal razão. Simplesmente, a verdadeira questão, a que Ana Catarina Mendes tinha o dever de apontar a causa mais provável, reside na razão de assim proceder Aníbal Cavaco Silva. Infelizmente, não o fez. E, como se percebe, se o tivesse feito, tal também corresponderia a uma tomada de posição política em face do que a Direita e a Extrema-Direita sempre mantiveram como um sonho.

Acontece que o PSD nada tem de social-democrata, sendo um partido liberal no domínio económico, e hoje fortemente alinhado com o neoliberalismo que continua a manter-se e a destruir o mundo e a vida e o bem-estar dos povos. A grande diferença entre o PSD e o PS – praticamente a única, mas que é deveras importante para a enorme maioria dos portugueses – reside no Estado Social: o PS sempre o defendeu e fortaleceu, o PSD continua a tentar pôr-lhe um fim.

Sendo esta uma realidade há muito percebida pela generalidade dos portugueses, para mais perante o fracasso das soluções fornecidas pelas ditas democracias, que razões poderiam levar a grande maioria dos portugueses a escolher o PSD em detrimento do PS? Nenhumas, claro está.

Nós já tivemos a oportunidade de perceber no que daria o reformismo do PSD nas recentes eleições para deputados à Assembleia da República, onde, a vencer o PSD, se iniciaria a destruição do Estado Social, tão essencial para a grande maioria dos portugueses, infelizmente a viverem muitíssimo mal e perspetivando um futuro muito perigoso, olhado o que vai hoje pelo mundo. Bom, o que os portugueses fizeram foi escolher o PS de António Costa, porque há muito mantêm a perceção de que, mau grado os muitos erros que uma governação sempre tem de comportar, o pouco e essencial que têm no plano social se iria desmoronar com um governo do PSD. Por acaso, era o de Rui Rio, mas o mesmo se irá dar com Luís Montenegro, ou com qualquer outro. Uma realidade a que tem de juntar-se o silêncio deste político sobre as suas possíveis ligações futuras ao… Chega.

É à luz destas evidências bem percebidas pelos portugueses que Aníbal Cavaco Silva se limita às duas realidades apontadas no seu texto: o autoelogio e a ausência de concretização no âmbito das tais reformas estruturais nos domínios essenciais da Saúde, Educação e Segurança Social. Ele sabe muitíssimo bem o que quer, mas não pode dizê-lo. Nem ele, nem Rio ou Montenegro. E a razão é simples: os portugueses não são tolos e não escolherão nunca o suicídio social.

Por fim, a minha estranheza por este mecanismo do autoelogio, porque é uma realidade muito inusual no mundo da política dos Estados do Primeiro Mundo. De resto, Aníbal Cavaco Silva nunca aborda o seu segundo mandato, que esteve a anos-luz de se poder considerar bom, acabando por trazer o PS de Guterres ao poder. Nem aborda nunca a sua derrota perante Jorge Sampaio na corrida presidencial. E sempre me interrogo: que efeitos poderá ter aquele artigo de Cavaco? Uma tentativa de ajuda de custo a Luís Montenegro? Porque há um dado que é certo: não pode ser apenas um autoelogio…

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