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Já tudo se tornou claro

Ao contrário do pensado por muitos, a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos teve um terrível impacto por todo o mundo. Para lá do que acaba de ver-se com o homicídio de Qasem Solimeini, nós temos tido a oportunidade de acompanhar o papel desenvolvido por Steeve Bannon por países diversos da União Europeia, sempre apoiando a Extrema-Direita que se está a implantar. E a União Europeia, naturalmente, contemporiza...

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O Serviço Nacional de Saúde, (SNS), começou a andar na berlinda desde que António Arnaut se determinou a criá-lo. A Direita de Abril, naturalmente obrigada a ter de assumir-se como democrática, lá teve que aceitar a ideia, apesar de sempre contra a mesma se bater e atuar. Dizia a generalidade dos médicos com consultório privado que o objetivo do Governo de então, com a nova estrutura assim criada, era proibir a intervenção privada dos médicos nos diversos domínios da Saúde. Como qualquer um conhece bem, tal objetivo nunca se materializou, de resto por nunca ter sido um objetivo.

Ao contrário do pensado por muitos, a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos teve um terrível impacto por todo o mundo. Para lá do que acaba de ver-se com o homicídio de Qasem Solimeini, nós temos tido a oportunidade de acompanhar o papel desenvolvido por Steeve Bannon por países diversos da União Europeia, sempre apoiando a Extrema-Direita que se está a implantar. E a União Europeia, naturalmente, contemporiza…

Eu até compreendo este comportamento de Donald Trump e da sua gente para com a União Europeia e os seus líderes, bem como os dos seus países. A verdade é que os políticos europeus sempre mostraram, ao menos desde 1945, de uma completa subserviência perante os Estados Unidos. Era Truman quem estava no poder norte-americano quando a nova embaixadora dos Estados Unidos em Itália aqui chegou, explicando aos democratas-cristãos que o Governo conjunto com o PCI tinha de acabar. E assim se deu: nunca mais voltou a ter lugar, transformando-se a Itália no mais cabal canal sem ruído dos Estados Unidos na Europa.

Poderá o leitor pensar que um homem como Trump, com os seus sucessivos próximos e depois distantes, poderiam há dias estar a falar verdade sobre o homicídio de Estado do general Qasem Solimeini, mas a verdade, absolutamente consabida, é que os Estados Unidos ainda se movimentaram a fim de assassinar o general De Gaulle, quando souberam que a França trabalhava no desenvolvimento da bomba nuclear e, um pouco depois, da termonuclear. É que De Gaulle visitara logo a União Soviética mal chegou ao poder, depois de terminada a guerra.

O desenvolvimento de todo este cenário, agora culminado no estado a que o mundo chegou, fez com que se tenha vindo a desenvolver em Portugal a fantástica luta dos médicos e dos enfermeiros, na sua generalidade, contra o SNS. O grande objetivo passou a ser pôr um fim objetivo nesta estrutura, de modo a que os interesses privados possam deitar a mão ao SNS. Hoje, já ninguém deixou de perceber esta realidade.

Claro está que assiste à generalidade dos médicos, dos enfermeiros e dos restantes técnicos da Saúde, uma boa dose de razão. Simplesmente, esta razão não pode ser materializada contra tudo e contra todos. E todos aqueles técnicos da nossa Medicina conhecem isto bem. Uma coisa é o que se precisa, em termos absolutos, outra o que se pode desse universo levar à prática. Mas basta olhar os diversos setores privados, como por igual o público, para se perceber que Portugal não para, lá pelo nosso interior, de ver encerrar serviços diversos: bancos, CTT, estruturas médicas, tribunais, empresas, etc., etc..

Neste mais recente fim-de-semana foi mesmo possível ouvir de Miguel Guimarães esta autêntica enormidade: se morrer um profissional por agressão, o Governo é responsável!! Não calhei eu a assassinar a médica que atendeu a minha mulher – grande qualidade profissional – no final da passada semana, porque se o tivesse feito, seria o Governo o responsável! Bom, simplesmente inenarrável!!!

Mas o Bastonário da Ordem dos Médicos foi mesmo mais longe, dizendo-nos que se o setor privado falhasse, seria o fim do funcionamento do setor da Saúde. Trata-se de um tema inútil de tratar – qualquer um percebe que isto não corresponde à realidade –, mas o leitor poderá facilmente perceber o que está aqui em jogo se olhar, por exemplo, o que se passa no setor da Justiça: só quem tem riqueza pode defender-se (capazmente) em tribunal. Simplesmente, isso é sempre assim, seja o setor o que for. Por cá e por todo o mundo.

Neste momento, já só acreditam nestas vozes de (falsa) tragédia os mais desatentos, ou os mais ingénuos, porque a comunidade portuguesa, na sua generalidade, já se apercebeu do que se pretende com esta campanha tendente a desacreditar o SNS. Até aqui, faltava dinheiro. Mas o dinheiro chegou. Só que, agora, alguns dizem que nem chegou. E outros que deitar dinheiro para cima do SNS não é solução. E então o que sugerem os detratores do SNS? Bom, vales-consulta, se o tempo previsto para a mesma for ultrapassado no público. Simplesmente, qualquer um percebe que se abria assim a porta a ultrapassagens em catadupa.

Hoje, já ninguém duvida desta realidade e do que se situa por detrás da mesma. Na peugada da eleição de Trump, não há quem não queira ganhar mais e quase sem limite. O que menos importa são os utentes, seja o setor o que for. E a causa é simples: as democracias, pela sua natureza, geram lideranças políticas fracas, deixaram de existir valores inquestionáveis, e tem-se vindo a desenvolver a sociedade do vale tudo. Precisamente no que daria o mecanismo dos vales-consulta: os vales-tudo, como muito graciosa e certeiramente referiu a Ministra da Saúde, Marta Temido. Portanto, caro leitor, esteja atento e não se deixe levar Por cantilenas…

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