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Investigadores desenvolvem tecnologia para detetar mosquitos transmissores de doenças

Depois de finalizado, o protótipo será capaz de transmitir informação às autoridades de saúde através de radiofrequência para transmitir informação, uma vez que é energeticamente mais eficiente do que WiFi, permitindo assim um mapeamento em tempo real da presença de mosquitos.

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Os mosquitos são insetos que habitam em várias regiões do mundo, sendo mais de 3 mil as espécies já identificadas no mundo. Algumas destas espécies são vetores de transmissão de uma série de doenças como a malária, febre amarela ou dengue. Segundo a Organização Mundial de Saúde, só de malária morreram 627 mil pessoas em 2020.

É precisamente com vista a controlar a proliferação de mosquitos que o investigador Dinarte Vasconcelos se encontra a desenvolver uma solução tecnológica no âmbito da sua tese de Doutoramento. “A minha investigação quer produzir uma solução economicamente viável com um conjunto de sensores que seja capaz de detetar mosquitos e distingui-los de outros insetos”, conta o investigador. A investigação é orientada por Nuno Nunes e João Pedro Gomes, professores no Instituto Superior Técnico, e investigadores no Instituto de Tecnologias Interativas (ITI) e Instituto de Sistemas e Robótica (ISR), respetivamente.

Numa fase inicial, a deteção era feita através de microfones que captavam o som do bater das asas dos mosquitos. “Como a frequência do batimento das asas varia entre espécies, é possível reconhecer o padrão da espécie detetada pelos microfones”, explica Dinarte Vasconcelos. Contudo, esta abordagem permitia apenas a deteção a uma curta distância, além de que o sistema não estava preparado para lidar com ruído envolvente. Com a inclusão de sensores óticos de radiação infravermelha, foi possível aumentar a distância de deteção do sistema e torná-lo imune ao ruído ambiente. No entanto, a existência de múltiplas espécies de insetos requer a utilização de inteligência artificial para alcançar melhores resultados. “Vamos precisar de uma base de dados para conseguir identificar quais das espécies detetadas são mosquitos”, acrescenta.

Em condições favoráveis, uma fêmea de mosquito é capaz de eclodir entre 100 e 200 ovos em 7 dias, motivo pelo qual é importante que o protótipo seja capaz de distinguir machos e fêmeas. “Os testes laboratoriais que fizemos foram em parceria com o Museu de História Natural do Funchal e indicam que mais de 90% dos mosquitos são corretamente identificados relativamente à espécie e ao sexo”, revela Dinarte Vasconcelos. Também foram realizados testes na Tailândia em parceria com a Universidade de Mahidol, onde estão presentes mosquitos transmissores da malária – Aedes e Anopheles. As experiências foram realizadas perto do Rajanagarindra Tropical Disease International Centre (RTIC). De forma a atrair os mosquitos, foram colocadas armadilhas de luz e de gelo seco. Estes testes serviram para calibrar os sensores, identificar problemas e melhorar a deteção em ambiente real.

Depois de finalizado, o protótipo será capaz de transmitir informação às autoridades de saúde através de radiofrequência para transmitir informação, uma vez que é energeticamente mais eficiente do que WiFi, permitindo assim um mapeamento em tempo real da presença de mosquitos. Nesse sentido, foi já assinado um protocolo de investigação entre o Instituto de Tecnologias Interativas, a University College London e a Direção Regional da Saúde da Madeira para desenvolver um sistema de monitorização no Funchal.

No futuro, os investigadores pretendem continuar o desenvolvimento da tecnologia para que esta consiga distinguir entre mosquitos e outros tipos de insetos. Além de servir o propósito original, a mesma tecnologia poderá ser utilizada para monitorizar outras espécies de insetos de especial interesse como as abelhas e outros polinizadores, cuja população tem vindo a decrescer ao longo dos últimos anos.

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Fonte desta notícia: Daniel da Costa Ribeiro Instituto de Tecnologias Interativas, Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa

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