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Investigadores descobrem que a varíola já existia no tempo dos vikings

Um novo estudo mostra que a varíola existe há mais de1000 anos. Investigadores da Universidade de Copenhague (UCPH) e da Universidade de Cambridge encontraram provas de que a doença também existia no tempo dos Vikings. Os novos resultados foram publicados na revista científica Science.

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A varíola, uma doença outrora fatal é mais antiga e estava mais difundida do que os cientistas até agora pensavam. Um novo estudo realizado por uma equipa da Universidade de Copenhague e da Universidade de Cambridge mostra que os vikings também sofriam de varíola.

Ao longo dos tempos, a varíola, uma doença altamente infeciosa, matou centenas de milhões de pessoas. Mas ainda não é clara a data exata em que a doença surgiu. Foram encontradas evidências de varíola em indivíduos do século XVII, enquanto registos escritos sugerem que a doença é muito mais antiga.

No entanto, um novo estudo mostra que a doença já existia há mais de 1000 anos. Investigadores da Universidade de Copenhague (UCPH) e da Universidade de Cambridge encontraram provas de que a varíola também existia no tempo dos Vikings. Os novos resultados foram publicados na revista científica Science .

Encontramos a evidência mais antiga de varíola. Além disso, parece ter sido surpreendentemente comum desde o período Viking“, diz o professor associado Martin Sikora, do Globe Institute, UCPH e da Universidade de Cambridge. O investigador conta que “a varíola foi a infeção que matou mais pessoas em todo o mundo. Por esse motivo, é muito importante e interessante saber como a doença se desenvolveu. Isso nos dá uma oportunidade única de entender a evolução do vírus, ou como o mesmo mudou até se tornar no patógeno que conhecemos hoje“.

Os investigadores estudaram e analisaram o DNA de 13 indivíduos do norte da Europa infetados com varíola, mostrando dessa forma que a doença foi mais disseminada do que se pensava até agora. Uma ideia generalizada defendia varíola não era endémica no norte da Europa durante esse período. “Mostramos que não só era endémica na Europa, mas na verdade era bastante difundida no norte da Europa já no ano de 600. Isso significa que a doença surgiu aqui numa idade muito mais precoce do que se pensava“, diz o professor Eske Willerslev.

Este estudo permitiu perceber que os vírus que circulavam durante o período Viking eram distintos dos exemplares modernos, e não diretamente relacionados com os vírus que causaram o último grande surto de varíola no século XX. “Eles partilham um ancestral comum, mas também têm características únicas que os diferenciam dos que circularam em épocas mais adiantadas da história. Acontece que os vírus que encontramos são diferentes dos patógenos devastadores conhecidos a partir do século XX. É a primeira vez que podemos rastrear esses primeiros vírus da varíola, comparar seus genomas e mutações e ver como a doença evoluiu ao longo do tempo“, diz Eske Willerslev.

Embora a doença tenha sido erradicada, ainda é muito útil saber como ela se desenvolveu e se modificou ao longo dos tempos. A varíola é o chamado poxvírus, uma grande família de vírus com muitos tipos diferentes que infetam um conjunto diversificado de espécies hospedeiras. Um exemplo é a varicela, que tipicamente infeta macacos, mas também é conhecida por causar uma doença semelhante à varíola em humanos. Portanto, é útil saber como outros tipos de poxvírus sofrem mutação e sobrevivem. “Quando sabemos como a doença sofreu uma mutação ao longo do tempo, ela nos dá a oportunidade de montar um catálogo de como esses patógenos podem sofrer mutações no futuro, quais as mutações e combinações que tornam os agentes patogénicos viáveis e bem-sucedidos. É um dos poucos exemplos em que a investigação genética antiga tem implicações diretas para a saúde atual e futura“, diz Martin Sikora.

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Fonte desta notícia: Nota de Imprensa Universidade de Copenhague | Faculdade de Saúde e Ciências Médicas
Créditos da imagem: Ceri Falys.
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