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Indigestão Caranavalesca

Com aquela maneira muito portuguesa de estar na política, não param de surgir jornalistas, nas nossas televisões, sempre colocando aos responsáveis da Saúde esta questão sem nexo: estamos preparados para enfrentar uma avalancha de gente contaminada?

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Está aí a chegar o fim de mais uma Terça-Feira de Carnaval, desta vez culminando um conjunto de desaparecimentos de concidadãos nossos, por cá e lá por fora, e transportando consigo a terrível preocupação do coronavírus.

Com aquela maneira muito portuguesa de estar na política, não param de surgir jornalistas, nas nossas televisões, sempre colocando aos responsáveis da Saúde esta questão sem nexo: estamos preparados para enfrentar uma avalancha de gente contaminada?

Ontem mesmo, no noticiário da TVI, Miguel Sousa Tavares colocou esta questão a um médico entrevistado, tendo recebido a resposta de que temos hoje menos camas e estamos pior do que ao tempo da designada Gripe das Aves.

Claro está que o problema do coronavírus, como outros similares, é de muito difícil enfrentamento, dado que, desta vez, se desconhece quase tudo. Aquele entrevistado, no fundo, acabou por reconhecer isto mesmo. Simplesmente, a nossa classe jornalística segue sempre o mesmo caminho: pergunta se estamos 100 % seguros de que nada irá acontecer!! Bom, não estamos. Aliás, ninguém está.

Este tema do coronavírus, com o modo como vem sendo atacado no imediato, faz lembrar o mecanismo da reação nuclear de fissão: a fim de evitar a reação em cadeia, limita-se a massa crítica. No caso que agora está a alastrar pelo mundo, tenta-se evitar os contactos humanos, a fim de estancar a contaminação, seja primária ou secundária. Não dispondo de vacina, pouco mais pode fazer-se. Mas vejamos o que se passa.

O tempo de incubação do coronavírus será de cerca de 14 dias. Quem aqui chega tem duas situações: ou vem da China – ou podendo ter contactado com chineses –, ou vem de um outro lugar quase nada referenciado. Em qualquer caso, poderá manifestar um sentimento doentio, mormente com febre elevada. Se assim for, far-se-á a conveniente despistagem, provavelmente em ambiente hospitalar, sendo de aconselhar isolamento até se saber o resultado do teste. Mas se não mostrar sem sintomas, há pouco a fazer, seja por cá, seja por qualquer outro lugar do mundo.

Dão-se os conselhos ligados à necessidade de estar atento ao respetivo estado de saúde e haverá que esperar.
No entretanto, criaram-se as estruturas potencialmente aptas a enfrentar um crescimento do problema entre nós. O que conduziu às explicações do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, aí pelas quatro e pouco desta tarde: tudo o que está a ser feito para preparar a estrutura para um eventual agravamento, está a ser feito de forma rápida, mas está a ser bem feito.

Eu li esta frase em plena rua, quando passava por certa montra de um café, depois de ter estado numa pastelaria muito referente de Lisboa. Parámos um pouco, e lá estava a legenda que aludia a esta frase do Presidente da República. De modo que disse para minha mulher: imagino a indigestão carnavalesca que irão ter a Direita e a Extrema-Direita depois destas palavras. Uma conclusão a que poderia juntar mais esta: o André Ventura lá vai crescer um pouco mais.

Claro está que o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa tem bom senso, conhece o que vai pelo mundo e percebe que não pode deixar-se levar pela lengalenga de mil e um jornalistas sempre à procura de um furo a qualquer preço, mesmo que ridiculamente conseguido. Mas, enfim, lá se terá gerado mais uma indigestão, desta vez em pleno cerne carnavalesco. Façamos votos para que nada de mal por aqui chegue.

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