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Imprecisões na nova mascarada

De parceria com minha mulher, determinámo-nos a almoçar num restaurante chinês que se situa a cerca de 500 metros de nossa casa. A trajetória faz-se por uma rua muito movimentada por veículos automóveis, mas com uma mui baixa densidade humana a pé. Portanto, pela decisão de sempre e pelas regras em vigor, para lá fomos a pé e sem máscara, só a colocando à entrada e até chegarem os alimentos solicitados. E depois, terminado o almoço, em menos de três minutos estávamos já fora da sala onde almoçámos.

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Aí estão as novas disposições destinadas a estancar, e porventura baixar, a taxa de variação dos infetados pelo novo coronavírus em Portugal. Claro está que se poderá ainda exigir mais restrições, mas estou em crer que o que tem vindo a passar-se entre nós deriva de violações grosseiras das regras simples, sem dúvida desagradáveis, mas essenciais a preservar a comunidade do crescimento da contaminação que tem vindo a verificar-se.

Ora, uma das novas exigências hoje surgidas é a da utilização de máscara em todos os espaços públicos abertos, desde que não seja conseguida a distância mínima de segurança. Haverá de compreender-se que se trata de uma noção muito pouco precisa, quase requerendo que cada um se faça acompanhar de um daqueles radares que evitam choques de carros durante as estacionamentos. Mas vejamos o meu caso de hoje.

De parceria com minha mulher, determinámo-nos a almoçar num restaurante chinês que se situa a cerca de 500 metros de nossa casa. A trajetória faz-se por uma rua muito movimentada por veículos automóveis, mas com uma mui baixa densidade humana a pé. Portanto, pela decisão de sempre e pelas regras em vigor, para lá fomos a pé e sem máscara, só a colocando à entrada e até chegarem os alimentos solicitados. E depois, terminado o almoço, em menos de três minutos estávamos já fora da sala onde almoçámos.

Na ida, aí pelo meio da distância a percorrer, apercebi-me do movimento de um guarda da PSP, naturalmen-te com a máscara colocada, movimentando-se em sentido oposto ao nosso e no mesmo passeio. Passeios que têm cerca de 2 metros de largura, numa rua com estacionamento dos dois lados e onde ainda se podem movimentar veículos em simultâneo nos dois sentidos, comportando, ainda, uma ultrapassagem. Já perto do guarda, determinei-me a colocar a máscara, tendo-o interpelado no sentido de lhe ouvir uma opinião sobre as tais condições públicas de distanciamento referidas no documento hoje aprovado na Assembleia da República.

Ora, o guarda mostrou-se duvidoso sobre a referida condição, mas propendeu para a ideia de que numa rua como aquela a máscara não se deverá requerer. E mesmo na Estrada de Benfica, com muito maior trânsito humano, também propendeu para a ideia de que a simples passagem de duas pessoas, uma pela outra, em qualquer sentido, não deveria requerer o uso da máscara. Bom, era, precisamente, a minha opinião.

Mais uma vez, agora apenas com a máscara, o erro está na ideia de se pôr em vigor a obrigação anunciada. Ao fazê-lo, tal requer uma definição das condições necessárias para se ter de usar máscara, o que não é fácil. Portanto, seria preferível uma de duas situações: ou se impunha a utilização permanente de más-cara, ou se aconselhava o seu uso com persuasão forte, mas sem obrigar. De resto, depois de chegar a casa – após o almoço, portanto –, tive a oportunidade de ver que a generalidade das bancadas parlamen-tares havia chamado a atenção para esta mesma realidade. Mas, enfim, veremos se por aqui irá surgir um novo desenvolvimento de conflitualidade entre cidadãos e polícias. Para já, estes parecem dispor de mais bom senso que os legisladores.

Por tudo isto, ocorrem-me de novo as palavras de Marcelo Caetano, antigo Presidente do Conselho, numa das suas CONVERSAS EM FAMÍLIA, já lá vai um bom meio século: o Governo só procura fazer leis que possam ser cumpridas.

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