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Graça Morais: “é muito importante que uma universidade atribua um Honoris Causa a uma mulher e a uma artista”

UTAD atribui, a 11 de maio, o doutoramento Honoris Causa à pintora transmontana

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A pintora Graça Morais vai receber, a 11 de maio, o Doutoramento Honoris Causa da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), numa cerimónia que terá lugar na Aula Magna e que contará com a presença de várias personalidades.

Que a UTAD me homenageie desta maneira é, para mim, uma enorme honra, até porque eu nasci nesta região. Tenho um enorme amor ao meu País, mas em especial a estas terras que eu conheço e que lutam sempre com imensas dificuldades, a vários níveis. Sinto que é importante, mas mesmo muito importante que uma universidade atribua um Honoris Causa a uma mulher e a uma artista, porque não é muito comum as universidades fazerem-no”, revela Graça Morais.

Além do reconhecimento da sua obra, a atribuição deste grau académico por parte da UTAD é “uma forma de mostrar às outras mulheres que vale a pena trabalhar bastante, aproveitar todos os talentos e, sobretudo, acreditarem nelas”. “Há momentos de dúvidas (e há muitos), mas quando temos pessoas de muita qualidade a acreditarem no nosso trabalho e no nosso carácter dá-nos força para lutar contra todas as dificuldades”, acrescenta.

Com 74 anos completados recentemente, o Honoris Causa não podia deixar a pintora “mais agradecida”. “Acho que é a minha melhor prenda receber este título da UTAD, uma universidade com um campus maravilhoso e com uma enorme diversidade de conhecimento. Com a UTAD a reconhecer que a minha obra tem importância a este nível, eu não posso pedir mais da vida. Estou muito feliz, porque com a idade que tenho este reconhecimento é muito especial, é o reconhecimento pelo meu trabalho, mas também pela minha atitude como mulher e como artista”, conclui.

Graça Morais, uma das grandes referências na história da arte contemporânea europeia, será a segunda mulher a ser distinguida com o Doutoramento Honoris Causa da UTAD. Em 2018, este título foi outorgado à escritora Agustina Bessa-Luís.

Dados biográficos
Membro da Academia Nacional de Belas Artes e de diversas associações, confrarias e fundações culturais, Graça Morais nasceu a 17 de março de 1948 em Vieiro, aldeia do concelho de Vila Flor.

Em 1971, concluiu o Curso Superior de Pintura na Escola Superior de Belas Artes do Porto e, entre 1976-79, viveu em Paris como bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian.

Desde 1974 até 2022 realizou e participou em mais de uma centena de exposições em Portugal e no estrangeiro, de salientar a representação de Portugal na XVII Bienal de São Paulo e as mostras no Museu de Arte Moderna de São Paulo e no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

Em 1993, criou a cenografia para a peça “Os Biombos”, no Teatro Experimental de Cascais, e, em 1995, a cenografia e figurinos para “Ricardo II”, no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa. Em 2011, Joana Providência coreografou “Terra Quente Terra Fria”, criado a partir da obra da pintora. Em 2015, o Teatro da Garagem estreou a peça “Graça: Suite Teatral em Três Movimentos”, a partir de textos da pintora e de António Tabucchi. Graça Morais ilustrou e colaborou, ainda, com vários poetas e escritores.

Foram executadas várias obras da pintora pela Manufatura de Tapeçarias de Portalegre, que se encontram expostas na Assembleia da República Portuguesa, na Câmara Municipal de Lisboa, na Universidade Técnica de Lisboa, no Montepio Geral (Lisboa), na Pousada de São Bartolomeu (Bragança) e na Fundação Mário Soares.

Além de estar representada em várias coleções privadas e públicas, Graça Morais tem intervenções artísticas em painéis de azulejos no edifício sede da Caixa Geral de Depósitos (Lisboa), na Estação de Bielorrússia do Metropolitano de Moscovo, na estação de comboios do Fogueteiro e na Estação de Metropolitano da Amadora, no Mercado e no Teatro Municipal de Bragança, na Caixa de Crédito Agrícola de Bragança, na Escola Miguel Torga, em Bragança, na clínica de hemodiálise, em Mirandela, nas Escolas Monsenhor Jerónimo do Amaral, em Vila Real, e na Biblioteca Municipal de Carrazeda de Ansiães. Destacam-se ainda os painéis em azulejo no Viaduto de Rinchoa/Rio de Mouro, no Centro de Astrofísica e Planetário do Porto, assim como na Central Hidroelétrica de Vilar de Frades (Vieira do Minho).

Foi em 2008 que o Centro de Arte Contemporânea Graça Morais (CACGM), da autoria do arquiteto Souto Moura, abriu portas em Bragança. O espaço acolhe obras representativas das várias séries entre 1982 e 2005. Na celebração do 10º aniversário do CACGM, foi criado o Laboratório de Artes na Montanha – Graça Morais que visa promover novas oportunidades para atividades de ensino e investigação baseadas na prática das artes no contexto de montanha, assim como estimular novas centralidades de intervenção científica e cultural de relevância internacional. No final de 2021, Graça Morais foi homenageada na Nouvelle Sorbonne, em Paris, com uma jornada de estudos sobre a sua obra, e está ainda representada na exposição “Tudo o que eu quero — Artistas portuguesas de 1900 a 2020”, no âmbito do programa geral da Temporada Cruzada Portugal-França.

Para além de reconhecida e divulgada, a sua obra plástica tem conquistado inúmeros prémios e distinções. Recebeu, entre outros, o Prémio SocTip – Artista do Ano (1991), o Grau de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique (1997), o Prémio de Artes – Casino da Póvoa (2011), o Grande Prémio Aquisição da Academia Nacional de Belas-Artes (2013), a Distinção Mulheres Criadoras de Cultura (2014), o Prémio ‘Obra de Vida’ dos Prémios SOS Azulejo (2016), a Medalha de Mérito Cultural e Científico, Grau Ouro, de Vila Nova de Gaia (2017), a Medalha de Honra do Instituto Politécnico de Bragança (2018), a Medalha de Mérito Cultural em nome do Governo Português (2019).

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Fonte desta notícia: UTAD (Patrícia Posse)

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