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Foram os Russos, claro!

Para ser sincero, eu tenho as mais sérias dúvidas sobre se o tal caso do oleoduto norte-americano, de facto, teve lugar, ou não. E é simples entender esta minha dúvida.

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Nunca duvidei de que a chegada de um democrata à liderança política dos Estados Unidos se iria traduzir num risco fortíssimo de se regressar à guerra. Isto mesmo foi sempre percebido pelos velhos dirigentes soviéticos, que sempre preferiram um republicano a um democrata. No fundo, uma simples razão de clareza, ao invés de meras palavras e simples retórica de aparência pacifista.

Para mal do mundo, Donald Trump foi o que se viu. Ainda assim, esteve à beira de conseguir vencer as eleições, não o almejando por via da pandemia da COVID-19. O grande problema de Joe Biden é o futuro: para seu mal, existe o futuro. E tudo começa a fazer crer que Donald Trump poderá vir a ser a carta a jogar pelos republicanos nas próximas eleições presidenciais. Perante uma tal evidência, Joe Biden vai-se deitando a mostrar o que de melhor possa existir e ser desejado, mas que não deverá vir a ter o apoio que precisa da classe política. No essencial, todavia, mexe quase nada.

Continuam agora em Israel as condições conflituais por este criadas quase desde o seu nascimento como Estado, mas Joe Biden mantém a embaixada dos Estados Unidos em Jerusalém, tal como o impusera Donald Trump. Em Guantánamo, este último fez o mesmo que Barack Obama, ou seja, nada. E assim continua agora Joe Biden: Guantánamo como sempre esteve. O supremo exemplo de Estado de Direto e de prática forte dos Direitos Humanos… E se o caso de Kashoggi ficara para as calendas, de Joe Biden nada de novo surgiu. O grande problema são os russos e o Presidente Vladimir Putin, ou o regresso tosco do foguetão chinês.

Pois, surgiu agora – é o que dizem os norte-americanos – um alegado ataque cibernético sobre a estrutura de comando de certo oleoduto que liga Houston a Linden, varrendo toda a Costa Leste. Num ápice, perante uma estrutura assim tão vulnerável, de pronto – em dois ou três dias – os americanos descobriram que tudo foi obra dos… russos!!!
Uma notícia para sorrir, porque os russos estão a servir de pau para toda a colher. Faltou a Joe Biden e seus homens dizer que foram os russos que estragaram o controlo do tal foguetão chinês na sua reentrada. E se assim tivessem feito, num ápice nos surgiriam as nossas vozes ecoantes de tais notícias: os americanos dizem, os europeus repetem. A rapaziada da política do megafone, como tão bem a caraterizou o legalíssimo Benjamin Netanyahu.

Para ser sincero, eu tenho as mais sérias dúvidas sobre se o tal caso do oleoduto norte-americano, de facto, teve lugar, ou não. E é simples entender esta minha dúvida. Por um lado, já se percebeu que Donald Trump poderá vir a ser o candidato republicano dentro de pouco menos de quatro anos. Depois, porque as eleições intercalares para o Senado e a Câmara dos Representantes poderão mudar a atual situação, acontecimento que se nos mostra com elevada probabilidade. E, por outro lado, porque os Estados Unidos sempre declararam guerra com grande facilidade, como nos explicou Luís Costa Ribas, então ainda na SIC. O problema é que esta facilidade está agora em condições de poder ser utilizada por… Joe Biden.

Aos poucos, com a natural subserviência da generalidade dos Estados europeus, mas também com o papel de repetidor de som da nossa grande comunicação social, vai-se criando a ideia de que todo o mal que vai pelo mundo é fruto da Rússia de Vladimir Putin. É verdade que existe a China, mas está lá longe, e ainda muito distante do poder nuclear e armamentista da Rússia e dos Estados Unidos. Estes, pois, precisam de uma guerra para evitar uma nova chegada de Donald Trump à Casa Branca. No fundo, o que se dizia que este poderia vir a fazer, mas com o Irão.
Joe Biden e os seus homens sabem que uma tal guerra só muito dificilmente poderá ter lugar com Donald Trump na Casa Branca, como se viu durante a presidência anterior. Portanto, ou se arranja agora maneira de criar uma tal escaramuça bélica, ou não terá lugar se Donald Trump voltar à Casa Branca. No meio de tudo isto, há, até, uma singular sintonia religiosa: a presença de Francisco, Biden e Guterres, todos católicos, à frente de grandes instituições internacionais…

É deste modo que consigo compreender os dois ou três dias que as autoridades norte-americanas, incapazes de se defenderem de ataques cibernéticos que dizem ter consequências estratégicas, levaram para logo descobrirem tudo: foram os russos e por ordem do Presidente Vladimir Putin. Mas até neste mecanismo não conseguiram liderar, porque eu mesmo já sabia que (se iria apregoar que) haviam sido os russos de Vladimir Putin. É, no fundo, a consequência desta lei empírica simples: democratas na Casa Branca, América e mundo em guerra.

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