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Finalmente, uma voz da verdade

Nesta sua entrevista, o Papa Francisco salientou não apoiar Vladimir Putin, embora também se não tenha pronunciado sobre o líder ucraniano. E logo salientou esta outra evidência: a ação das tropas russas é brutal, cruel e feroz. E continuou: não se devem esquecer os verdadeiros problemas, para que sejam resolvidos.

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Na manhã desta terça-feira, já perto do meio-dia, a CNN Portugal, num dos seus noticiários, trouxe-nos estas considerações públicas do Papa Francisco: acredito que a Guerra da Ucrânia poderá ter sido provocada pela OTAN. E logo completou: acredito que o reforço das tropas da OTAN nas fronteiras com a Rússia possa ter levado ao início do conflito.

Estas palavras são cabalmente verdadeiras, sendo espantosa a cobardia da generalidade da classe política ocidental, mas por igual a da enormíssima maioria dos jornalistas, analistas e comentadores de serviço. Tirando menos de uma mão cheia de comentadores militares, todos evitam reconhecer o papel provocador da OTAN – dos Estados Unidos, portanto –, na sua constante aproximação às fronteiras da Rússia. Acham natural a reação dos Estados Unidos à instalação dos mísseis soviéticos em Cuba, mas quase nunca referem que já aqueles haviam instalado outros na Turquia, apontados à antiga União Soviética.

Nesta sua entrevista, o Papa Francisco salientou não apoiar Vladimir Putin, embora também se não tenha pronunciado sobre o líder ucraniano. E logo salientou esta outra evidência: a ação das tropas russas é brutal, cruel e feroz. E continuou: não se devem esquecer os verdadeiros problemas, para que sejam resolvidos.

Estas considerações são extremamente evidentes, mas a verdade é que a guerra, quando atinge grandes proporções, expõe sempre as caraterísticas referidas por Francisco: brutalidade, crueldade e ferocidade. Basta recordar os ataques nucleares dos Estados Unidos ao Japão, realmente destinados a experimentar, no meio social, a bomba entretanto criada. E a verdade é que apenas 1,4 % da massa crítica entrou na reação em cadeia, assim mostrando a razão de ser de não terem os Estados Unidos optado por uma exemplificação em Los Alamos, ou na baía de Tóquio: poderia dar-se um fiasco…

Quanto à resolução dos verdadeiros problemas, o Papa teve já os resultados da sua intervenção contra a atual economia que mata, mas por igual o caso da distribuição das vacinas contra a COVID-19, que simplesmente foi quase liminarmente recusada aos países pobres do Terceiro Mundo. E basta que Francisco se determine a olhar a Doutrina Social da Igreja Católica Romana, para que logo se dê conta do abismo que separa o seu conteúdo da realidade da sociedade neoliberal que hoje comanda o mundo, naturalmente sob a batuta dos Estados Unidos, com a sua OTAN, seu braço armado no continente europeu.

Achei estranha esta notícia ter sido dada a conhecer, embora seja coisa a não voltar a referir. Foi o que se deu com a revolta manifestada por Francisco em face do anunciado crescimento em despesa militar, ao invés de pôr em funcionamento, de um modo capaz, o que realmente é importante para se evitar o sofrimento social. Um tema que, tanto quanto pude escutar, nunca terá sido noticiado na nossa comunicação dita livre…

Estas palavras do Papa Francisco mostram como a designada democracia pode, afinal, ser uma caixa de contenção de som – quando a notícia não convém aos poderosos –, ou funcionar como um eco repetido (quase) sem parar, na situação inversa. Mas é isso: temos a democracia…

Por fim, uma dúvida: irá agora a União Europeia aplicar ao Papa Francisco penalizações, tal como tentou com o líder da Igreja Católica Ortodoxa Russa? Sim, porque nós temos a democracia…

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