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Festa da Cabra e do Canhoto regressa a Cidões (Vinhais) no dia 31 de outubro

A aldeia tem cerca de 20 habitantes e, ao longo dos anos, esta Festa foi mantida e animada unicamente com o esforço dos filhos da terra. A dimensão que adquiriu aumenta as exigências e até a profissionalização, que começa a acontecer nesta edição de 2022, mas sempre com a cooperação e a coordenação dos locais, verdadeiros zeladores das características originais e tradicionais deste evento.

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Depois de dois anos de interregno devido à pandemia COVID-19 SARS COV2, no dia 31 de outubro a pequena aldeia de Cidões, no concelho de Vinhais, veste-se novamente de misticismo e magia e é invadida por trasgos, deusas e druidas e outras figuras fantásticas como o diabo e o Druida, e voltam a realizar a já habitual original e tradicional Festa da Cabra e do Canhoto, esta sim a verdadeira noite de “Halloween”.

A aldeia tem cerca de 20 habitantes e, ao longo dos anos, esta Festa foi mantida e animada unicamente com o esforço dos filhos da terra. A dimensão que adquiriu aumenta as exigências e até a profissionalização, que começa a acontecer nesta edição de 2022, mas sempre com a cooperação e a coordenação dos locais, verdadeiros zeladores das características originais e tradicionais deste evento.

A festa toma conta das ruas por onde vai passar o cortejo celta, com todas as pessoas da aldeia, o grupo de animação de Santa Maria da Feira Aninamos, onde atuam os trasgos, o Teatro Filandorra e os grupos de Gaitas de Fole e bombos Encharca o Fole e Gaiteiros de Zido. O antigo largo da Eira, é o palco principal, este ano com um espaço maior e devidamente preparado para receber os milhares de pessoas que anualmente visitam a festa. “Todos os anos recebemos mais de duas mil pessoas, acreditamos que este ano não será diferente”, refere o responsável pela organização.

A tradição é milenar e, apesar da pequena dimensão da localidade, nunca caiu no esquecimento. Nos últimos anos, graças ao trabalho da Associação Raízes d`aldeia de Cidões, a festa de forte tradição celta, ultrapassou fronteiras e é motivo para que centenas de pessoas se desloquem por uma noite a Cidões. E o que pode mudar de ano para ano, se esta é uma festa de rituais? “A capacidade de receber cada vez melhor quem vem de fora”, responde sem rodeios o Presidente da direção José Taveira.

A festa começa às 19:00h com toda a aldeia decorada com motivos celtas, velas e estrelas flamejantes. Está instalada uma tenda, para garantir espaços cobertos em caso de chuva! Há várias tasquinhas com bebidas típicas desta festividade (vinho, sangria e licores celtas) e petiscos tradicionais variados (linguiça, alheira, Caldo verde, bifanas, presunto e feijoada à Cidões). E claro, na Festa da Cabra e do Canhoto é preciso comer a cabra machorra “Infértil”, cozinhada em enormes potes de ferro na fogueira. A “cabra machorra” representa a mulher do diabo que não deu qualquer descendência “Queimamos o Diabo e comemos-lhe a mulher”, “Temos 13 cabras”, revela José Taveira, acrescentando que também não vai faltar, à descrição, “queimada, úlhaque (bebida espirituosa celta confecionada na aldeia) e café no pote com a brasa”.

Logo de seguida é hora de acender a enorme fogueira com o Canhoto, onde ao final da noite há de arder o “cabrão” figura escultórica de 7 metros de altura produzida por Luís Canotilho e alunos da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Bragança. Acende-se a estrela gigante e grupos de gaiteiros e danças celtas vão animar a festa em permanência, misturando-se com os visitantes. Este ano convidamos todos a virem vestidos com roupa celta, para se envolverem plenamente no misticismo desta original tradição. O Druida e as suas deusas fazem o esconjuro e preparam a queimada, um dos momentos altos da festa, afastando os males do corpo e da alma, invocando prosperidade, fertilidade e sorte para a “estação escura” o inverno frio que se avizinha.

Por volta das 23:00h é tempo de queimar o “cabrão” ou “bode gigante”, empurrado pelas deusas para a fogueira do Fogo Sagrado. E é a queima do bode e o repasto de cabra machora que desperta a ira do diabo que pouco mais tarde há de descer pela aldeia, em cima de um carro de bois, puxado pelos rapazes da terra. Um carro de bois com as tarraxas bem apertadas, que chia assustadoramente, torna o momento mais aterrorizador. Aqui dá-se o momento alto da noite que é a luta feroz que se vai travar entre o Druida e o diabo, este último a ser expulso da aldeia para voltar só na noite de 31 de outubro do ano seguinte. Até lá, toda a aldeia e todos os presentes estão protegidos de todos os males, inveja, azares e má sorte!

Já de madrugada, num ritual reservado aos filhos da terra, a aldeia será virada do avesso. Na Festa da Cabra e do Canhoto, nada fica como era em Cidões! Tudo melhor!

Esta festa originalmente designada de “Samhain” (noite de 31 de Outubro a 1 de Novembro) era a comemoração celta mais importante sendo celebrada em toda a Europa, até à sua conversão ao cristianismo. Inicia-se com esta festividade o “Ano Novo Celta” que tinha início com a estação escura, na realidade a verdadeira passagem de ano.
A Samhain é a festa dos espíritos. O lugar dos espíritos seria um espaço de felicidade ausente de dor ou fome. Cabia aos sacerdotes druidas comunicar nesse dia com os antepassados.

A celebração com a designação de “Festa de Samhain” passou a chamar-se “noite das Bruxas ou Halloween” em todo o mundo, mas em Cidões sempre “Festa da Cabra e do Canhoto”.

Convém nunca esquecer que “Quem da Cabra comer e ao Canhoto se aquecer, um ano de muita sorte irá ter!” “Cruzes Canhoto”!

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