Informativo Digital de Trás-os-Montes e Alto Douro

Eureca!!

Terminada que está a já histórica – e inútil, claro está – Comissão Parlamentar de Inquérito ao caso Alexandra Reis, aí está um novo casinho, desta vez centrado na paragem técnica do nosso Falcon da Força Aérea Portuguesa, que levou o Primeiro-Ministro a uma visita à Moldova.

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Quem, sem complexos, tiver lido as intervenções públicas de Salazar não poderá deixar de reconhecer a razão que lhe assistia quando apontou as caraterísticas culturais portuguesas em face do essencial para o funcionamento de uma democracia. E se é uma evidência que, no plano formal, a vivência constitucional da nossa III República não merece grandes reparos – nunca tivemos, até agora, governantes que tenham tido de voltar pata trás no dia da tomada de posse, fruto da arruça –, também o não é que a essência da democracia, tal como a imagens das instituições, está em franco decrescimento.

Como pude já escrever, os atuais partidos da oposição mostram-se alinhados por três direções políticas essenciais: ou propõem a cabal inversão da nossa vida político-constitucional – Chega e IL –, ou simplesmente se recusam a dizer ao que vêm – PSD e o que resta do CDS, embora na bancada –, ou se limitam a criticar, já com uma matriz claramente populista, como é o caso, sobretudo, do Bloco de Esquerda. A cada dia que passa, como se percebe, este tipo de situação requer novos temas para entreter quem lhes tenha acesso, mormente pela carência de sensacionalismo da grande comunicação social.

Terminada que está a já histórica – e inútil, claro está – Comissão Parlamentar de Inquérito ao caso Alexandra Reis, aí está um novo casinho, desta vez centrado na paragem técnica do nosso Falcon da Força Aérea Portuguesa, que levou o Primeiro-Ministro a uma visita à Moldova. Pelo caminho, lá se operou a referida paragem técnica, que permitiu que o Primeiro-Ministro assistisse, em Budapeste, a um jogo de futebol, em que um dos treinadores era José Mourinho. Um caso gravíssimo, como o leitor já deverá estar a gritar, e em voz bem alta…

Acontece que este acontecimento, só por si, nem seria assim tão importante, mas o busílis do problema foi aquele lado-a-lado com o Primeiro-Ministro da Hungria, Vítor Órban, que se tem mostrado uma personalidade política demasiado independente das modas ilimitadas do tempo. Fugindo do politicamente correto, bom, é uma chatice. No fundo, a oposição, hoje à beira do vazio de intervenção política, tem aqui, nestes dois acontecimentos, uma espécie de dois em um. E quem diz oposição, diz grande comunicação social, carenciada profunda de leitores e de publici-dade. Enfim, lá iremos ter mais uma semana de chicana política até que um novo acontecimento possa a servir de base a nova chicana, já mais atualizada.

Se Salazar, com Soares, Cunhal e Caetano, estiverem a assistir à nossa realidade política atual, serão bem capazes de procurar Sebastião e Silva e de lhe colocarem esta pergunta, muitíssimo natural: olhe lá, alguma vez se deparou com uma sucessão deste tipo?!

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