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Estranhos desalinhos

Perante tudo isto, Luís Nobre Guedes foi tecendo críticas, mas muito suaves. De resto, também sempre sorridentes, sem parecer perceber o desfiladeiro conducente a uma grande guerra que tem vindo a ser criado por um presidente louco.

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Só neste último domingo de agosto consegui arranjar algum tempo a fim de tratar dois temas abordados por Luís Nobre Guedes na sua recente presença semanal na RTP 3, desta vez com a presença do catedrático de Direito de Lisboa, Eduardo Paz Ferreira, no lugar do engenheiro Eduardo Marçal Grilo, certamente no usufruto de algum regresso às origens.

Não é a primeira vez que Luís Nobre Guedes aborda os casos de Donald Trump e de André Ventura. A verdade, porém, é que o que acaba por fazer é sempre elevá-los politicamente, embora dizendo sempre o contrário. Portanto, vejamos estes dois casos.

O caso de Trump, O Bronco. Logo que surgiu, digamos assim, a disputa final entre Donald Trump e Hillary Clinton, foi possível acompanhar os verdadeiros espantos de Luís Nobre Guedes em função do que O Bronco ia dizendo. Embora Luís não tivesse razão. Em dado dia, já com Trump, O Bronco, empossado como Presidente dos Estados Unidos, Luís, voltando-se para Ana Lourenço, fez esta sua previsão: vamos esperar um pouco, porque antevejo que em um anito, e aí teremos um impeachment sobre Trump. Disse isto sorrindo abertamente, qual previsão para si muito evidente e segura. Bom, falhou. Falhou no tempo, e quando o mesmo chegou, também falhou no resultado final, como se sabe.

Claro está que o tempo não parou, pelo que as desgraças trazidas a todo o mundo pela política de Donald Trump, O Bronco, não pararam de crescer, invariavelmente sucedidas de falhanços e conflitos perigosos, para já não falar da linguagem soez e da prática reiterada da mentira, ou diz-desdiz. E depois, o regresso em força do racismo e da violência policial sobre os negros, tal como a desgraça causada a milhares de famílias que desmantelou desumanamente. E, finalmente, o fantástico falhanço no modo como enfrentou a pandemia, que, se tivesse tido lugar num Estado da União Europeia, talvez tivesse conduzido os respetivos líderes políticos à barra dos Tribunais.

Perante tudo isto, Luís Nobre Guedes foi tecendo críticas, mas muito suaves. De resto, também sempre sorridentes, sem parecer perceber o desfiladeiro conducente a uma grande guerra que tem vindo a ser criado por um presidente louco, que os americanos, democraticamente, conduziram ao poder. Uma realidade que me traz ao pensamento uma antiga obra, por aqui surgida pouco depois de Abril de 1974, intitulada, ESTES LOUCOS QUE NOS GOVERNAM.

Até que chegaram, finalmente, as eleições para o Presidente dos Estados Unidos. E foi interessante reparar neste facto: perguntado por Carolina Freitas sobre o que pensava vir a dar-se se Trump, O Bronco, fosse reeleito, Luís acabou por nunca responder… Mas lá disse, já pelo final da sua intervenção, que desejava que não fosse o eleito, até por nunca com ele se identificou. Simplesmente, é preferível ser que parecer. E de tudo o que tenho podido escutar de Luís Nobre Guedes o que parece é que, em boa verdade, Trump, O Bronco, deverá ser o seu apoiado (intimamente). E atenção: em política, o que parece, é…

As considerações sobre André Ventura e o Chega, sendo até risíveis, ajudam a desempatar a situação do ser-parecer ao redor de Trump, O Bronco. Abordado o caso do Chega e dos amores de Rui Rio pelo Chega de André Ventura, Luís surgiu com este fabuloso passe de mágica, já exposto por diversas vezes: o diálogo deve ser mantido com o Chega, até com André Ventura, um grande político e repleto de cultura, mas o que se deve fazer é confrontá-lo com o que deseja fazer nos diversos domínios, comparando o que está escrito com o que vem sendo dito!!!

Este meu texto poderia ficar por aqui, bastando escrever esta frase célebre: éu quér’ápláudirr!!! Em todo o caso, sempre vale a pena olhar as inenarráveis ideias táticas de Luís Nobre Guedes.

Em primeiro lugar, a tal ação de confrontar André Ventura com o que escreveu, em nome do Chega, e com o que vem dizendo. Mas a quem incumbiria essa ação de confrontar André Ventura? E para que serviriam as suas respostas, se com Ronald Reagan foi o que se lhe escutou no debate com Jimmy Carter, em face do que depois se veio a dar, nunca concretizado após chegar à presidência, e quando a liderança da sua campanha praticava objetivamente a alta traição aos interesses dos Estados Unidos? Convém que Luís Nobre Guedes não perca a excelente e mui significativa obra de Alexandre Patrício Gouveia, ou ainda acabaremos por crer em que Luís acredita na democracia. E então nestes dias…

E, em segundo lugar, Luís Nobre Guedes tem a obrigação de conseguir perceber que tais audições, aparentemente destinadas a colocar perante todos a realidade do Chega de André Ventura, só serviriam para lhe dar voz e tempo de antena. E Luís sabe muitíssimo bem que a população não dispõe de meios para controlar o exercício do poder político. A democracia representativa é, naturalmente, um ritual, mas só vale se nela se acreditar. O problema está nisto: e se um ditador chegar democraticamente ao poder? Bom, já estamos a ver isto mesmo na Alemanha, na Itália, em França, na Hungria, na Polónia, no Brasil e… nos Estados Unidos. E então, que fazer depois? Talvez voltar a ler Jean-François Revel…

Em resumo: a Trump, O Bronco, Luís acha-o terrível, mas muito forte como político, carismático e que vai vencer; de André Ventura acha-o muito culto e que se deve com ele dialogar, sendo igualmente um grande político. É interessante que o facto de André Ventura ter sido convidado por Trump, O Bronco, ou se

ir encontrar com Matteo Salvini, ou com outros líderes da Extrema-Direita do mundo, bom, ainda nada significa para Luís Nobre Guedes, porque ainda não o confrontámos com tais realidades!!! Talvez também Marcelo e Costa fazerem o mesmo, não é? É caso, pois, para voltar à tal frase célebre: éu quér’ápláudirr!!!

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