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Espólio da Concatedral de Miranda do Douro em exposição

A mostra reúne a parte mais significativa do espólio da antiga Sé Catedral de Miranda do Douro, incluindo o conjunto pictórico conhecido por “Calendário da Sé”, calendário Flamengo, pintado por Pieter Balten (c.1527-1584).

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As mais belas peças de pintura, escultura e arte sacra que incorporam o espólio da Concatedral de Miranda do Douro integram a exposição temática que abre ao público, na próxima sexta-feira, dia 17 dezembro, pelas 10 horas, no Núcleo Expositivo deste templo religioso.

A mostra reúne a parte mais significativa do espólio da antiga Sé Catedral de Miranda do Douro, incluindo o conjunto pictórico conhecido por “Calendário da Sé”, calendário Flamengo, pintado por Pieter Balten (c.1527-1584).

Passados cerca de 240 anos, da transferência da sede da diocese para a cidade de Bragança, a qual ocorreu no último quartel do século XVIII, esta é a primeira vez que um conjunto de obras tão relevante é colocada à fruição do público.

A exposição, além de cumprir o objetivo de salvaguarda, conservação e valorização do património, afirma a relevância, a vitalidade e o potencial cultural do que foi a Diocese de Miranda, ao mesmo tempo que revela a urbanidade e mundividência dos prelados que ocuparam o trono episcopal mirandês, assim como do investimento que foi realizado para que este templo fosse, de facto, brilhantíssimo em termos artísticos e arquitetónicos.

Estas obras de arte, de apreciável valor cultural, abrem agora espaço à consolidação e integração do acesso ao património artístico e religioso da Terra de Miranda, e àquilo que foi, e é, parte da sua herança sociocultural, que se destacou a partir da criação da Diocese em meados do século XVI. Ao mesmo tempo que se constata e atesta, também, a importância estratégica e económica desta Diocese no contexto da fronteira nordestina.

O espaço, que atualmente aloja a exposição, encontra-se instalado numa das antigas sacristias da Sé. A sua intervenção e remodelação foi desenvolvido pela Direção Regional de Cultura do Norte no âmbito da Operação “Rota das Catedrais no Norte” de Portugal, e cofinanciada pelo Programa Operacional Norte 2020.

Sobre o Calendário da Sé

Após exposição itinerante pela Biblioteca Municipal de Ourense (Galiza), Museu Nacional de Arte Antiga (Lisboa) e Museu de Lamego, tendo recebido mais de 60 mil visitantes, o calendário flamengo de Pieter Balten está agora de regresso a Miranda do Douro, para integrar o Núcleo Expositivo da Concatedral de Miranda do Douro.

Cumpre-se, assim, o objetivo de valorizar o Património artístico mirandês, pondo a tónica na investigação, na conservação e na divulgação, fazendo com que o “Calendário de Miranda” esteja acessível à visita de todos.

Os Retratos dos Meses da Concatedral de Miranda do Douro, conjunto de doze quadrinhos vulgarmente chamado Calendário, constituem exemplo raríssimo de uma iconografia praticamente ausente no património artístico nacional.

Foram pintados em Antuérpia, cerca de 1580, na oficina do mestre pintor Pieter Balten (1527-1584), artista muito considerado, amigo e parceiro do célebre Pieter Brueghel, o Velho (1525-1569).

Pensa-se que foram adquiridas (ou encomendadas) no mercado antuerpiano por parte do Bispo D. Jerónimo de Menezes, que governou a Diocese de Miranda entre 1581 e 1592, depois de ter sido Reitor da Universidade de Coimbra, sabendo-se ter efetivamente comprado algumas pinturas para a sua Sé. Cada figura alusiva a um Mês ostenta atributos de trabalho agrícola e traços da vivência rural segundo um repertório que remete para a tradição da grande «pintura de género» dos Países Baixos.

Em termos iconográficos, a figuração dos Meses trai reminiscências gentílicas que mergulham na Antiguidade Clássica com exemplos relevantes na arte greco-romana, dando lugar, já em contexto cristianizado, a notáveis representações tanto nos Livros de Horas medievais como na pintura «de género» do século XVII.

Em termos iconológicos, os quadros assumem um discurso de harmonização do mundo em estreita relação com a simbologia astrológica, sem deixarem de ser quadros devocionais no seu mais exato sentido. Traduzem, assim, uma espécie de interação entre os planos real e simbólico que contribui para todo o tipo de especulações cosmológicas sobre a regeneração do universo, tema tão caro tanto à Igreja Católica como aos círculos da Igreja protestante.

A escolha da série adquirida mostra a atualização de gosto dos Bispos de Miranda do Douro, que chegaram a possuir uma pinacoteca capitular com mais de uma centena de peças: no ano de 1720 contavam-se nessa galeria 127 quadros, sacros e profanos, de que apenas sobreviveram duas dezenas.

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Fonte desta notícia: Nota de Imprensa DRCN

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