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EscarpArte: Sentir as Escarpas da Serra de Santa Comba. Uma viagem de sete mil anos

O projeto EscarpArte, promovido pelo Município de Mirandela, numa parceria liderada pelo Laboratório Colaborativo MORE, juntamente com a autarquia local, a Universidade do Porto e o Grupo Dryas Octophetala, foi selecionado e recebeu luz verde para avançar. A seleção e aprovação do projeto, no âmbito do programa Promove, será financiado pelo BPI e a Fundação “La Caixa” e a Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

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Passados 32 anos da descoberta da maior concentração portuguesa de pintura rupestre, datáveis do quarto e terceiro milénios a.C., as escarpas da Serra de Santa Comba, em Mirandela, receberão estudos de arte rupestre, tornando possível a preservação do património cultural arqueológico e a conversão deste local em ponto turístico visitável.

O projeto EscarpArte, promovido pelo Município de Mirandela, numa parceria liderada pelo Laboratório Colaborativo MORE, juntamente com a autarquia local, a Universidade do Porto e o Grupo Dryas Octophetala, foi selecionado e recebeu luz verde para avançar. A seleção e aprovação do projeto, no âmbito do programa Promove, será financiado pelo BPI e a Fundação “La Caixa” e a Fundação para a Ciência e a Tecnologia e permitirá um investimento global de 200 mil euros, sendo a comparticipação por parte da autarquia mirandelense de cerca de 95 mil euros. A iniciativa contará igualmente com apoio da Direção Geral da Cultura do Norte.

O projeto denominado de “EscarpArte: Sentir as Escarpas da Serra de Santa Comba. Uma viagem de sete mil anos” vai permitir o estudo da arte rupestre, a preservação do património cultural arqueológico e a conversão do património da Serra de Santa Comba num ponto turístico visitável de relevo internacional.

A Serra de Santa Comba, com uma elevação de 1041 metros no seu ponto mais alto (Valpaços), encontra-se inserida em dois concelhos e dois distritos, Valpaços e Mirandela e Vila Real e Bragança, respetivamente.

Dentro dos limites do concelho de Mirandela, esta serra possui uma área com cerca de 3000 hectares e três elevações de realce, sendo elas o Alto do Soalheiro (freguesia de Passos) o local mais elevado, a 946 metros de altitude, seguindo-se o Alto do Orelhão (freguesia de Lamas de Orelhão) com 932 metros e o Alto do Colado (freguesia de Franco) com 883 metros de elevação.

A sua implantação na depressão de Mirandela, o seu isolamento relativamente a outros acidentes geográficos e o perfil muito recortado, dão-lhe uma grande visibilidade e fazem desta serra uma das mais características de Trás-os-Montes.

Esta serra, para além das tradições religiosas e lendas ancestrais, possui um dos melhores miradouros transmontanos, permitindo avistar uma parte significativa dos distritos de Vila Real e Bragança e a região espanhola de Sanábria.Estudos realizados entre 1986 e 1990, por uma equipa de arqueólogos coordenada por Maria de Jesus Sanches (Departamento de Ciências e Técnicas do Património da Universidade do Porto), comprovam que muitas das reentrâncias geológicas (também conhecidas como palas ou abrigos rupestres) haviam sido utilizadas, por exemplo, o Buraco da Pala, como espaço sazonal de ocupação (com início no Neolítico Antigo (5500 a 3500 a.C.), com a presença de possíveis cabanas, tendo no período do Calcolítico (3500 a 2200 a.C.) servido como áreas de armazenamento de produtos agrícolas.

No ano de 1989, durante uma deslocação para uma escavação no abrigo do Buraco da Pala, estes profissionais depararam-se, no abrigo Regato das Bouças, com a presença de figuras pintadas avermelhadas (antropomorfos, arboriformes e figuras geométricas variadas).

Prospeções realizadas recentemente confirmaram a existência de maior número de pintura rupestre em escarpa e abrigos destas formas de cor ocre, que importa agora mapear e salvaguardar. Avaliações efetuadas na década de 80 estimam que a continuidade dos estudos, com recurso a técnicas digitais modernizadas, podem levar à identificação de novas figuras de arte pré-histórica recente.

Passados 32 anos após a descoberta, a aprovação da candidatura EscarpArte ao “Programa Promove – o futuro do Interior”, possibilitará o mapeamento e levantamento digital 3D e multiespectral, a realização de trabalhos de arqueologia por meio de escavação, de trabalhos de conservação e valorização arquitetónica, processamento e análise de materiais recolhidos, a promoção de educação patrimonial, a criação de meios de divulgação e apresentação ao público, com recurso às mais recentes tecnologias, bem como a criação de percursos de visitação
com recurso a soluções móveis inovadoras.

O “Programa Promove – o futuro do Interior”, é uma iniciativa do BPI e da Fundação “La Caixa”, em parceria com a Fundação Para a Ciência e Tecnologia, e objetiva dinamizar as regiões do interior de Portugal.

Para a autarquia, liderada por Júlia Rodrigues, a intenção de preservação e conservação do património arqueológico, cultural e paisagístico raríssimo, existente na Serra de Santa Comba, e a inclusão deste valor excecional na esfera da fruição turística, pretende contribuir para o desenvolvimento socioeconómico do concelho, onde importa atrair públicos e potenciar ciclos de visitação que contribuam para mitigar os efeitos do despovoamento do interior do país.

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Fonte desta notícia: Município de Mirandela

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