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Eleições

Num daqueles momentos de sorte, os portugueses tiveram, no passado fim-de-semana, a possibilidade de escutar, pela voz de Luís Montenegro, uma promessa cuja substância se dissipou em dois dias: afinal, a tal melhoria para os mais velhos era só para uma pequena minoria destes... E foi esta mesma realidade que os eleitores perceberam naquele tempo da liderança laranja de Rui Rio.

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Voltou o tempo das famigeradas sondagens. As tais que depois de o serem já o não são. Longe de causarem grande alegria aos ansiosos do poder, estas mais recentes vieram dar-nos o que nos foi contado como um empate técnico entre o PS e o PSD. Para esperança da Direita, como da Extrema-Direita, parece que o bloco direitista está agora em maioria nesta sondagem. Com o Chega, como seria de esperar. E como se terá de dar, se tal se mostrar necessário. Basta ler nas estrelas, porque está lá bem escrito e de modo muito visível.

Já por diversas vezes – nunca são demais – tive a oportunidade de salientar aos leitores que não devem dar um ínfimo de credibilidade a sondagens, para o que existe hoje uma ampla amostragem de desastres entre o que nos vinham mostrando e o que depois se veio a materializar. Essencial é pensar com a própria cabeça, olhando os objetivos pessoais, comparando com o que tem sido feito pela governação e pensar se, virando à Direita – com a Extrema-Direita, claro está –, se pode esperar, no mínimo, que não se vá de mal para pior.

Foi com bastante graça que escutei de José Rodrigues dos Santos, com o seu tão conhecido estilo gongórico de abrir telejornais, que o tal empate técnico mostrava uma queda de mais de 10 % em comparação com o anterior resultado eleitoral, que forneceu a inesperada maioria absoluta do PS de António Costa. Simplesmente, esta comparação está errada, e por esta razão simples: também existia um anunciado empate técnico antes do resultado dessas eleições, mas o que depois sobreveio foi a tal…maioria absoluta.

Se José Rodrigues dos Santos realmente pretendesse operar uma comparação aceitável, bom, essa comparação seria entre o tal empate técnico das sondagens falhadas daquele tempo e o mesmo resultado desta mais recente sondagem. A verdade é que também nesse tempo existia um empate técnico, mas o que depois surgiu foi uma maioria absoluta. E, ao invés do alegado pelo Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, a causa do desajuste não foi a liderança de António Costa, mas o facto dos portugueses não se deixarem levar por sondagens, antes pensando pela sua cabeça. Conseguiram, deste modo, não perder o pássaro que tinham não mão, para mais porque os dois pássaros que passavam a voar eram meramente virtuais. Se assim não tivessem decidido, estariam hoje desgraçados, e bem mais do que atualmente lhes permite estarem descontentes.

Num daqueles momentos de sorte, os portugueses tiveram, no passado fim-de-semana, a possibilidade de escutar, pela voz de Luís Montenegro, uma promessa cuja substância se dissipou em dois dias: afinal, a tal melhoria para os mais velhos era só para uma pequena minoria destes… E foi esta mesma realidade que os eleitores perceberam naquele tempo da liderança laranja de Rui Rio. Simplesmente, esta postura é inalterável no PSD, e desde o seu início: depois de terem estado à beira de seguir o CDS, votando contra a Constituição e 1976, lá facilitaram as coisas, mas sempre com algum tipo de reserva mental contra o que de mais importante existia naquele documento em benefício da grande maioria dos portugueses, que era o estado Social.

No meio de tudo isto, e numa perspetiva instrumental, o PSD de Luís Montenegro sonha com uma vitória de José Luís Carneiro no PS. De resto, a completa ausência do seu nome no recente congresso laranja mostrou, aos mais reticentes, que o verdadeiro risco para o acesso do PSD ao poder está em Pedro Nuno Santos. E se a isto se juntar a presença e Maria de Belém, Eduardo Marçal Grilo e Germano de Sousa no seu grupo de apoiantes, bom, percebe-se o nervosismo que terá de estar a pairar no seio das hostes laranjas. Um quase pânico!

Hoje, à beira do primeiro meio século da III República, os portugueses têm a obrigação de perceber esta realidade simples e mui evidente: a democracia só é útil aos cidadãos se for utilizada com lógica, deixando de lado aspetos claramente clubistas. E na vida da esmagadora maioria dos portugueses o que realmente conta é o que nos tem sido oferecido por via do Estados Social, e mesmo quando tão maltratado tem sido pelos que vêm governando o País. O problema, como no-lo diz a cultura popular, é que o ótimo é inimigo do bom, sendo que no caso das eleições que se aproximam, para de deputados à Assembleia da República, a Direita,para mais natural e expectavelmente coligada com a Extrema-Direita, trará, necessariamente, a destruição do que resta do Estado Social. Se o PS e os partidos da Esquerda podem, e devem, melhorá-lo, a Direita, para mais com a Extrema-Direita à ilharga, o que fará é o funeral ao essencialíssimo Estado Social.

De tudo isto, pode retirar-se um conselho, de resto conhecido de todos: perante as eleições que aí vêm, pare, escute e decida à luz dos seus interesses mais humanos e essências, porque se o não fizer, bem poderá ver-se colhido pela força da História da Direita e da Extrema-Direita. Nas anteriores eleições os portugueses mostraram perspicácia, pelo que nas que se aproximam devem fazer o mesmo…

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